Joyce lança "Tudo Bonito" no Brasil

A compositora e cantora Joyce chegou a um ponto da carreira em que pode gravar mais de um CD por ano, por opção e não imposição de gravadora. Pode, ainda, escolher em qual mercado quer lançar o disco, dentro ou fora do País. São quase 30 anos de história musical traçados com independência de modismos, mas, principalmente, feitos de bons trabalhos. Sem os atrasos costumeiros, que chegam a até dois anos, sai no Brasil, pela Sony Music, Tudo Bonito, lançado em julho no Japão pela Impartmaint.Tudo Bonito tem uma história especial. É o encontro de Joyce com João Donato. Quando Ana Martins, a filha da compositora, gravou o primeiro disco, os dois participaram. Ana interpretou Prossiga, música inédita da parceria, Joyce tocou violão e Donato piano. Kazuo Yoshida, produtor do novo CD e de outros discos de Joyce, achou tudo bonito e deu a idéia do álbum, que se realizou neste ano.Donato divide os vocais com Joyce em Prossiga. É um encontro encantador. Ele ainda toca em outras sete músicas de Tudo Bonito. Joyce ganhou do parceiro Falta de Ar, feita com o irmão dele, Lysias Ênio. Também inédita. "Nos meus discos gosto de mostrar novidades. Acho que disco, mesmo quando tem a idéia de prestar uma homenagem a um compositor, tem de propor o novo, o inédito, senão é um disco de memórias", diz ela. "Em Tudo Bonito, especialmente, pude mostrar quanto eu e João estamos compondo muito e que temos o mesmo prazer de quem começa na música."Joyce incluiu Adolescência, composição feita durante as gravações. É inspirada na doçura, simplicidade e jovialidade de Donato. Joyce compartilha também dessas características. Recentemente, quem percebeu isso foi o líder do grupo de rock alternativo Superchunk, Mac McCaughan. Ele, que tem admiração pela música de Joyce, fez um convite a ela para participar das apresentações do grupo no Brasil. Não foi possível. "Acho que teria sido inusitado, apesar de termos estilos muito diferente" observa.Joyce conta que McCaughan disse a ela por e-mail que o que mais lhe chama a atenção é o fato de a brasileira ter uma carreira essencialmente independente, sem amarras com o mercado. "Toda vez que ouço isso e faço uma reflexão, fico a cada dia mais feliz pela minha opção de sempre fazer o que quero e de priorizar a música", afirma. "Além disso, ele me contou que sente o mesmo frescor musical dos meus primeiros discos agora nos trabalhos mais recentes." McCaughan acertou em cheio.A impressão de que este é o momento da música popular brasileira no exterior só se intensifica com a trajetória da carreira de Joyce. "Por experiência própria, posso dizer que a música criativa sempre tem espaço no Japão, nos EUA e na Europa", observa. Há outros indícios. A cantora foi indicada para o Grammy Latino de 2000 com o CD Astronauta - Canções de Elis, lançado em 1998. Além disso, tem ainda outro trabalho fresquinho para ser divulgado. Lançado antes de Tudo Bonito, o CD Hard Bossa, produzido pela gravadora londrina FarOut, ainda não tem previsão de sair no País, mas, como outros discos de Joyce, tem público garantido dentro e fora do Brasil.Tudo Bonito reúne ainda a velha turma de ótimos músicos de Joyce, como o clarinetista Paulo Moura. E será com eles que deve apresentar em show o repertório desse CD. Ainda não tem idéia de quando isso vai ocorrer. Embora tenha feito esses dois discos há pouco tempo, Joyce já sabe do próximo: quer explorar o universo da gafieira. Além disso, pretende compor música para a dança.

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