Jovens acampam para aguardar shows de Demi Lovato, One Direction e Avril Lavigne

Fãs encaram chuva. frio e assaltos para garantir bons lugares

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2014 | 18h12

Se alguém achou que seria fácil, não foi. Há um mês na fila para o show da cantora americana Demi Lovato, Guilherme Costa, de 16 anos, já foi roubado, tomou chuva, passou frio e até "perdeu" uma amiga: uma colega de acampamento não pôde ir ao show de ontem por ter sido atropelada ao tentar fugir de um assalto no local. O show aconteceu no Citibank Hall, zona sul da capital paulista. Demi Lovato ainda se apresenta amanhã e sexta, no mesmo local. Os ingressos estão esgotados.

"A espera vai valer a pena, estamos ansiosos", contaram, animados, Guilherme e sua amiga Noemi, que ficaram acampados em frente do Citibank Hall desde 21 de março. Eles montaram, como é costume nessas situações, um esquema de revezamento com outros colegas. "Eu estudo e trabalho, mas passei as noites aqui e também os fins de semana", disse Guilherme. Além disso, os jovens tiveram uma verdadeira temporada de espetáculos no local: ganhando ingressos, eles viram Gusttavo Lima, Mc Gui, Jota Quest, Hugh Laurie e outros.

Os fãs vão continuar lá até amanhã, para ver o show, desta vez, em outro setor do Citibank Hall. Lovato também se apresenta no Rio, em Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre.

One Direction. Ainda a 17 dias do primeiro espetáculo do grupo One Direction em São Paulo, pelo menos 12 barracas já estão montadas nas entradas do Estádio do Morumbi. Marcos Paulo Silva, de 17 anos, foi um dos primeiros a chegar ao local, ainda no dia 24 de março, e até largou a escola para garantir um lugar na grade do show, que ocorre em 10 e 11 de maio.

"Depois recupero esse tempo", tenta amenizar o garoto, que vai completar 47 dias de acampamento quando, finalmente, conseguir entrar no estádio para ver a banda.

Bruno de Matos, de 20 anos, também está "morando" em uma das barracas postadas na frente do Morumbi. "Uma noite, logo quando chegamos, dois homens tentaram roubar nossa comida", relata. Carina Alves, de 17, que está há 20 dias na fila, conta que precisa arrumar tempo e dinheiro para manter a rotina entre a escola, o cursinho, sua casa e a fila. "Além disso, motoristas passam xingando, dizendo para a gente arranjar emprego, buzinando, eles jogam ovos, é engraçado até", ri.

PM. Nos dois espaços, os garotos reclamaram da falta de apoio das forças públicas de segurança. Há um posto de polícia quase em frente à entrada do Morumbi, mas os meninos que foram reclamar disseram que não foram bem recebidos. "Eles lembram: ‘Se vocês estão na rua, é um risco que vão correr’ e coisas assim", conta Marcos.

Já houve pelo menos um arrastão na frente do Citibank Hall. "Chegaram uns homens e mandaram todo mundo botar a mão na parede, ficar quieto e passar o celular", afirma Guilherme Costa. Questionados se buscaram ajuda da polícia, os meninos revelaram que a recomendação dos policiais sobre a situação foi "fazer uma macumba" no local, para tentar espantar os bandidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.