Jovem cantora põe no mapa a música do Usbequistão

Ela tem piercing na sobrancelha e integrou uma espécie de Spice Girls do Usbequistão. Agora, Sevara Nazarkhan assume o papel de revelação da world music, com os elogios de um dos maiores entusiastas e patrocinadores do gênero, o engajado Peter Gabriel.Sevara, 25 anos, começou a cantar as músicas folclóricas do Usbequistão aos 5, estimulada pelo pai, diretor de uma rádio local. Fez conservatório, onde aprendeu a tocar o tradicional dutar, espécie de alaúde, de duas cordas. Integrou depois um grupo vocal feminino, sucesso na TV desta ex-república soviética. A banda se dissolveu, e Sevara deu início à carreira solo.De início, fazia música pop, mas o acento usbeque, com notável herança turca, foi ganhando terreno em seu repertório, que agora ela trata como uma fusão de elementos tradicionais e pop, a exemplo de boa parte daquilo que se rotula world music. A instrumentos como o dutar e o tambor usbeque, somam-se teclados e recursos da computação. Mas nas letras, Sevara se volta ao passado. Remete a tempos mais simples, a amores idealizados. Vêm à tona as memórias do Caminho da Seda, rota comercial milenar que ligava Ásia e Europa. É uma música "suave, um pouquinho triste", define.O sucesso da jovem Sevara, 25 anos, parece evocar as antigas histórias do repertório tradicional usbeque, que ela reembala e difunde. Em 2000, apareceu na Grã-Bretanha como convidada de um festival organizado por Gabriel. Não estava escalada para se apresentar, mas uma das atrações foi cancelada, e Nazarkhan acabou virando a sensação da noite. "Estava assustada, porque não fui preparada para isso, mas foi com certeza divertido."No dia seguinte, já estava gravando no estúdio da Real World Music, de Gabriel. "Foi como um conto de fadas", diz. Desde então, vem colecionando críticas elogiosas e convites para shows. O álbum, Yol Bolsin, chegou ao mercado no ano passado, com direito a turnê pela Europa e Estados Unidos. No início do ano, ela regressou à Inglaterra para receber um prêmio da BBC. No fim deste mês, volta à estrada para mais uma turnê.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.