Jotabê Medeiros lança 'O Bisbilhoteiro das Galáxias'

Publicação traz bastidores de entrevistas feitas pelos jornalista especializado em cobertura musical

Lucas Nobile , Especial para O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 19h11

Iggy Pop, num momento dócil, de chinelos e meias em um aeroporto de Paris. Uma cachaça com Manu Chao, no Botequim do Hugo, em São Paulo. Jude Law tentando se passar por anônimo numa plateia em New Orleans. Bob Dylan, todo encapotado e de gorro, no calor escaldante da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Difícil de imaginar que tais cenas pudessem acontecer. Digamos, então, que elas aconteceram. Como contá-las, e provar que elas ocorreram, para amigos, familiares e até publicá-las num jornal? É justamente isso que Jotabê Medeiros, repórter e crítico musical do Caderno 2, faz em seu livro O Bisbilhoteiro das Galáxias - No Lado B da Cultura Pop, que acaba de ser lançado.

No volume, publicado pela Editora Lazuli, o jornalista relata essas histórias, vividas por ele em mais de 20 anos de cobertura do mundo pop, em que astros desse universo foram flagrados desarmados em momentos fora de cena.

Incluindo as histórias citadas anteriormente, o livro de Jotabê Medeiros traz ao todo 46 textos sobre os encontros de bastidores, em sua maioria inusitados, inesperados, com nomes como Stevie Wonder, Sonny Rollins, Afrika Bambaataa, Patti Smith, entre outros. Todos esses casos são resultado de uma cobertura jornalística que não se restringe aos limites e padrões da agenda cultural, como uma simples cobertura de um festival, os relatos de um show, as respostas conseguidas em uma entrevista. Daí a justificativa pelo título do livro: um jornalista que bisbilhotou durante anos o star system. "Na maioria desses casos contei com uma dose cavalar de sorte. Às vezes, não estava procurando especificamente aquilo, como a vez em que eu estava em New Orleans e fui convidado para uma festa na casa do Terence Blanchard, com grandes nomes do jazz, do blues. Eu me perguntava, como é que eu vim parar aqui?”, comenta Medeiros.

Algumas das histórias do livro foram publicadas no Caderno 2, casos do flagrante de Dylan perambulando camuflado por Copacabana, e o funeral de Michael Jackson, em que o jornalista conseguiu acesso ao interior do ginásio Staples Center, em Los Angeles, onde o músico era velado, ao receber um ingresso das mãos de Steve Manning, amigo da família Jackson.

O ponto de partida para o livro foram as fotos feitas pelo próprio jornalista, que fazia as imagens mais no sentido de documentar o seu ofício, de registrar aqueles momentos como recordação pessoal, sem ambição profissional, mas também para, como ele mesmo escreve no texto de apresentação do volume, evitar que ele passasse para história de sua própria família como um “cascateiro incorrigível” ao relatar o encontro de um “Zé Ninguém” com um “Fulano Ultrafamoso”.

“As fotos foram a origem do livro. Elas não têm uma pretensão historiográfica, é um livro de flagrantes. E as fotos não tinham a característica de tiete, mas documentavam de alguma maneira a minha atividade. Mais do que isso, não havia uma mitomania, sempre procurei fazer imagens que humanizavam tal personagem, e junto com o texto, mostrar qual lugar aquela figura ocupa no mundo da cultura”, diz Medeiros.

Dominado basicamente por figuras do meio pop musical, o livro traz ainda histórias de encontros com quatro personagens que não são músicos: o poeta Roberto Piva, o ativista Abdias do Nascimento, a fotógrafa Maureen Bisilliat e o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé.

Além das imagens, os textos apresentados pelo crítico musical e repórter, resultados de uma longa carreira de cobertura do mundo pop, sempre foram feitos, segundo ele, com o objetivo de ir além do relato, mas de levar o público a uma reflexão.

“Pelo o que se convencionou, a cobertura dessa cultura de massa não permitia ter uma sofisticação crítica, mas eu acho que dá para mesclar cultura pop e reflexão”, diz o jornalista. “O livro é fácil de ler, é didático e apresenta aquelas figuras para o leitor, não é um livro de jornalista para jornalista”, completa Medeiros, sobre o livro que tem ilustrações de Paulo Sayeg e edição de fotografia feita por Juvenal Pereira. Algumas das fotos serão apresentadas ao público também em uma exposição que será realizada depois do Carnaval, ainda sem data definida, na Imã Foto Galeria, na Vila Madalena.

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