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José James, a voz do jazz, mostra suas influências em SP

Elogiado cantor americano volta ao País e faz show hoje no Bourbon Street

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2015 | 04h00

Com um estilo de se vestir que oscila entre o cool e o despojado, o cantor norte-americano José James, aos 37 anos, já foi consagrado pela crítica como a voz do jazz de sua geração. O jazz unido ao hip-hop, R&B, soul e blues. “James canta em um barítono suave com um toque de fumo em seu tom”, definiu o The New York Times, em uma recente crítica sobre seu show com canções em tributo a Billie Holiday.

Essa homenagem não foi à toa. A lendária cantora, que o próprio James define como sua “musical mother”, a mãe musical, foi parte importante da formação do cantor desde suas mais remotas lembranças. Mas a influência de Billie se cristalizou no mais recente álbum de José James, Yesterday I Had The Blues – The Music Of Billie Holiday, que deu origem ao show apreciado pelo NYT. “Ela é uma artista incrivelmente importante na música americana. Uma das mais importantes. Temos de honrá-la não apenas como uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos, mas também como uma destemida líder dos direitos civis e uma feminista radical. Seu centenário parecia ser uma boa hora para fazer isso”, comenta o cantor, em entrevista ao Estado.

As canções de seu novo trabalho se juntam a outras de carreira no repertório do show que ele faz nesta terça, 27, no Bourbon Street. Segundo José James, ele e seus músicos estão fazendo um panorama de sua carreira nas apresentações pela América do Sul. “Isso porque, para algumas pessoas, esta será a primeira vez que elas vão me ouvir”, explica ele, que afirma ter feito essa difícil seleção com o material de seis álbuns. Mas estão garantidas músicas como The Dreamer, Park Bench People, While You Were Sleeping e Come to My Door.

Antes de chegar a São Paulo, ele participou do Mangaratiba Jazz & Blues Festival, no Rio, no último final de semana. Por causa da chuva, seu show de sábado foi cancelado, mas, no domingo, conseguiu subir ao palco do festival. “Foi incrível! Felizmente tivemos uma segunda chance de tocar. Foi uma noite bonita à beira-mar, com pessoas bonitas dançando minha música. O que poderia ser melhor?”

Influências. Autodidata, José James começou a cantar aos 14 anos. Filho de pai músico e panamenho – que o cantor diz nunca ter conhecido – e de mãe americana, nascida em Minneapolis e de família irlandesa, José James também é de Minneapolis, no Estado de Minnesota. E a música sempre esteve por perto. “Minha mãe colocava para tocar discos todo o tempo e ouvia rádio”, conta. “Ela era hippie e ouvia muito folk e rock – Jimi, Dylan, e Peter, Paul and Mary, esse tipo de vibração. Ela me apresentou a Billie Holiday também. Depois, eu descobri Prince e Michael Jackson e ali, para mim, não havia como voltar atrás.”

E vieram ainda outras muitas referências, um misto delas, como o rapper Kendrick Lamar e os ‘medalhões’ Marvin Gaye, Ray Charles, Aretha Franklin, Nat Cole, Stevie Wonder, Nina Simone, John Coltrane e tantos outros. Qual a importância dessas múltiplas influências? “Para mim, é tudo uma música que vem de um grande córrego, um rio”, descreve. “É a mesma expressão apenas em diferentes momentos para diferentes pessoas. É o mesmo espírito – um espírito de criatividade e da cultura black.”

JOSÉ JAMES

Bourbon Street.

R. dos Chanés, 127, Moema, telefone 5095-6100. Terça, às 21h30. R$ 135/R$ 180.

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