Kena Betancur/ Reuters
Kena Betancur/ Reuters

Jornal americano vê Ivete longe de Beyoncé

O NYT reconhece capacidade de 'levantar a galera' da brasileira, mas não aposta em sua globalização

Jotabê Medeiros, do Estado de S. Paulo,

06 de setembro de 2010 | 17h10

Para Jon Pareles, principal crítico de música do diário The New York Times, Ivete Sangalo é "infatigável no palco", mas "não será fácil" para ela se tornar uma pop star mundialmente conhecida.

 

"Há, inevitavelmente, uma barreira linguística para canções em português", analisa Pareles, que enxerga um caminho árduo para que a brasileira chegue perto de Beyoncé, Madonna e Shakira.

O crítico assistiu ao show que a cantora fez no Madison Square Garden, no sábado à noite, para uma plateia estimada em 15 mil pessoas (5 mil das quais compraram ingressos no Brasil para o show). Ivete foi, de acordo com a produtora Caco de Telha, a primeira brasileira a ocupar o palco principal como atração única de uma noitada em Nova York, prova de indiscutível prestígio.

 

Há ainda uma outra barreira para Ivete, avalia Pareles: muitos de seus hits brasileiros, como Cadê Dalila, usam a batida rápida da axé music baiana como substrato, um recurso que não é imediatamente reconhecido por plateias estrangeiras. "Pode ser mais difícil de ser assimilada por públicos internacionais do que o R&B de Beyoncé ou a cumbia de Shakira".

 

"Ela tentou uma estratégia de mistura internacional, colocando sintetizadores e um denominador comum 4/4, de clubes, sob um medley de hits. Mas desistir completamente daquela propulsão brasileira pode neutralizar sua música". Ainda assim, acompanhada de artistas baianos como Netinho e Margareth Menezes, e conseguindo massiva adesão do público, "mesmo em Nova York, ela estava tocando para uma plateia caseira".

 

Ivete trouxe ao palco alguns convidados, como a cantora canadense Nelly Furtado, o colombiano Juanes, o argentino Diego Torres e o brasileiro Seu Jorge. E cantou uma música nova, Aceleraê.

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