Jorge Mautner apresenta no Rio o CD <i>Revirão</i>

Desde 2002, quando lançou Eu não PeçoDesculpas, com Caetano Veloso, Jorge Mautner não parou. Fezshows pelo Brasil, lançou sua biografia, O Filho do Holocausto e viajou pelo País com Nelson Jacobina, visitando Pontos deCultura, criação de seu amigo e ministro da Cultura, GilbertoGil. "Foi uma experiência maravilhosa, encontrar tanta gentetalentosa e tanta diversidade. Sentia-me como Mário de Andradeou Villa-Lobos em suas excursões exploratórias há quase umséculo", conta Mautner. Ele ainda gravou 13 canções no CDRevirão, que mostra desta quarta-feira a sábado, no Estrela daLapa, tendo Preta, Bem, Gilberto Gil e Jards Macalé comoconvidados. "E esses meninos maravilhosos que fizeram o discoser tão bonito", promete. Ele se refere a Kassim, Berna Cepas,Domênico e Moreno Veloso, que o acompanham no palco. Revirão reflete essa diversidade que Mautner encontrouem suas andanças. Estilhaços de Paixão é a música mais antiga,de 1958. É dividida com Caetano e ficou deliciosamente brega. Hárocks variados: Assim já É demais é quase uma marchinha,enquanto Ressurreições é romântico. Olha só Quem Passa é umcarimbó e Os Pais, a primeira faixa, é um country dedicado àinspetora de polícia e deputada federal Marina Magessi. Trata-sede uma parceria com Gil, que abriu exceção no seu jejum decomposição também em Os Outros, samba meio bossa nova, meioAry Barroso. Há ainda o frevo Me Telefone e História doBaião, além de uma parceria com Bem Gil, Acúmulo de Azuis,homenagem ao Afroreggae, em que o filho do ministro da Culturamostra que lhe herdou o talento. O Som da Orquestra Imperial éhomenagem ao grupo moderninho, que tem sempre Mautner comocrooner de seus bailes. "Cada faixa tem uma historinha e expressa o amálgamabrasileiro. Isso torna nossa cultura a mais importante do mundo.Viajando pelo País, pude conhecer melhor essa realidade",comenta Mautner. "Na hora de gravar, eu certamente tinha o quedizer, mas esses meninos que me acompanham são muito rebeldes etalentosos. Então, o disco ficou com a cara de todos nós, masera isso mesmo que eu queria, essa cara misturada. Eles sãominha família, se não a de sangue, a que escolhi ter." A par da música e das palestras/show, Mautner escrevemuito, filosofa. Além de lançar Filho do Holocausto em 2006,viu a coletânea Mitologia do Kaos virar teatro com oAfroReggae. "Eles descobriram coisas que nem eu desconfiava",elogia. Prepara também um livro sobre Gil e mantém contato comum grupo de jovens filósofos franceses, os sans philosofie (semfilosofia, literalmente). "Eles se cansaram daquela lógicacartesiana e estão procurando o nosso pensamento", explica."Acham que, ao contrário do que disse Caetano em Língua, só épossível filosofar em brasileiro."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.