Jesus Cornejo
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Jorge Drexler lança o disco ‘Salvavidas de Hielo’

O cantor e compositor uruguaio se apresentará em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, com datas ainda a confirmar

Ricardo Rossetto, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2017 | 06h00

Para o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, a música é mais do que uma obsessão, é um capricho. Em seu novo disco Salvavidas de Hielo, lançado nesta sexta, 22, Drexler construiu um trabalho que é um contraponto à abundância de informações e ferramentas que as pessoas têm à disposição no mundo atual. O álbum se destaca pelo minimalismo instrumental: apenas o som do violão está presente nas canções. Mas nem de longe essa limitação de meios significou um disco menos rítmico. “Quanto mais eu me limito, mais eu me liberto”, diz Drexler ao Estado, parafraseando o compositor russo Igor Stravinski, considerado um dos mais influentes do século 20. 

Aos 53 anos e em seu 13.º disco, o uruguaio define o álbum como o resultado de uma profunda reflexão, fruto de um amadurecimento imposto pela idade. Já em 2014, com o disco Bailar en la Cueva, Drexler começou a perceber que o corpo não era permanente, e aí teve a ideia de homenageá-lo, com músicas bastante dançantes. Foi uma explosão de ritmos. Agora, o novo disco é um trabalho mais de “implosão”, de sentidos e de significados, porque, como diz o uruguaio, ele se “fecha no violão, nessa busca pela simplicidade”. 

Desta vez, Drexler parou durante um ano inteiro para se dedicar à pesquisa e escrever as letras das 11 canções inéditas que compõem o CD. Só depois, já dentro do estúdio, é que começaram a ser desenvolvidos os conceitos musicais. E foi a partir daí que entrou em cena a experimentação e, principalmente, a intuição, para se alcançar uma grande variedade de sons produzidos a partir das diversas partes do violão. 

A faixa Silencio é a música-chave para entender o disco, aquela que aponta para o caminho sonoro de toda a obra. Nela, Drexler e outros cinco músicos percussionistas experimentaram bater com as mãos e outros instrumentos metálicos na caixa do violão, depois gravaram esses sons com cinco microfones diferentes – um deles, inclusive, dentro do instrumento, e os digitalizaram no computador. O resultado da música é uma contradição em relação ao próprio nome. Silencio tem uma pegada eletrônica, e é a música mais barulhenta do álbum. “Deixamos um instante de silêncio grande no meio da música, porque esses momentos sem som algum são valiosos na vida das pessoas. Queríamos trabalhar com contrastes, e fazer bastante ruído para que quando o silêncio apareça, ele seja notado”, explica Jorge. 

A música Telefonía é outro exemplo da artesania de sons criados por Drexler. Na canção, que fala das diversas formas de se comunicar entre duas pessoas que se amam, é possível ouvir uma toada de terra pisada e de objetos metálicos, estes últimos sendo apenas um detalhe na melodia, realizado pelo batuque de palitos de comida japonesa nas cordas do violão. 

O processo de criação, contudo, foi bastante difícil, assegura Drexler. Foi preciso olhar o instrumento no detalhe para que fosse possível descobrir toda uma nova estética de sons, para depois misturá-los aos sintetizadores. “Para mim, o resultado final do disco foi uma surpresa. E isso só foi possível porque colocamos foco em um único instrumento. Em vez de saber muito pouco de várias coisas, queria saber muito de uma coisa só”, explica. 

Homenagem. Formado em medicina, Drexler começou a viver de música relativamente tarde, aos 30 anos. Sua vida mudou radicalmente em 1994, quando conheceu o músico espanhol Joaquín Sabina. Depois de presenciar um show do uruguaio em Montevidéu, Sabina lhe aconselhou a se mudar para Madri e tentar a sorte por lá. O conselho deu certo, e Drexler se transformou em um dos mais importante cantores em língua espanhola, tendo ganho, em 2005, um Oscar pela canção Al Otro Lado del Río, do filme Diários de Motocicleta. Essa história de agradecimento infinito está contada na canção Pongamos Que Hablo de Martínez

Além disso, o novo CD conta com a participação de três importantes cantoras latino-americanas: a chilena Mon Lafert, e as mexicanas Julieta Venegas e Natalia Lafourcade. Para Drexler, a presença delas trouxe uma energia emocional, e uma força interpretativa para o disco. “Gravamos ao vivo com elas, porque eu queria que o público sentisse a emoção que só acontece quando duas pessoas se olham diretamente”, diz. 

A turnê de Salvavidas de Hielo começa na América Latina e Espanha. No Brasil, Drexler se apresentará em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, com datas ainda a confirmar. 

JORGE DREXLER

‘Salvavidas de Hielo’

Warner Music; R$ 37,90

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