Jorge Aragão vem com um disco com cara própria

Depois de vender 250 mil cópias do CD Convida, lançado em 2003, o sambista Jorge Aragão viveu um problema inusitado para produzir Da Noite Para o Dia, seu novo trabalho que sai em breve. Como as músicas que canta tocam em rádio de todo o País, Aragão recebeu mais de 300 músicas inéditas, de pessoas interessadas em estourar como compositores. "Quase não tinha lugar para mim no meu disco", brinca o músico. "Estava acostumado a ir atrás dos cantores e não os autores virem a mim." Da garimpagem saiu um disco com cara própria. Da Noite Para o Dia tem sambas românticos, como Sede, Amargo Anis (de Aragão), Amor à Primeira Vista (Flávio Cardoso e Picolé) ou Castelo de Areia (de Walmir Lima e Roque Ferreira), e crítica social e política, em O Iraque é Aqui ou Dobradinha Light (sobre piratarias) e Vendi meu Peixe (Carlito Cavalcanti e Marquinho PQD).Aragão se arrisca a desagradar os puristas, com a versão de O Céu nas Mãos (de Can?t Take my Yes Of You, para lembrar seus tempos de músico de baile) ou com o jeito bossa nova que deu a Volta Por Cima, clássico de Paulo Vanzolini. "Meus discos ao vivo marcaram tanto que ninguém se lembra que eu não venho do samba de raiz, me formei ouvindo jazz, erudito e bossa nova e isso sempre apareceu nos discos anteriores", diz ele. O público não se cansa de Jorge Aragão. Da Noite Para o Dia sai com cem mil cópias. Depois do carnaval, vai aos Estados Unidos, África e Europa. Na volta, faz o show desse disco. "É um problema. Tenho tanta música de sucesso que só posso incluir uma ou duas inéditas nos shows", afirma. "Mas é bom ter uma obra assim, que é do agrado do público por tanto tempo".

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2004 | 18h37

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.