Johnny Alf é convidado do programa de Daibem no Bourbon

Um bom programa para hoje é sentar nos "bancos escolares" montados por Daniel Daibem no Bourbon Street para aprender alguns dos muitos caminhos do jazz com o mestre Johnny Alf. O precursor da bossa nova, como ele costuma ser chamado, é o convidado do programa Sala do Professor Buchanan´s, apresentado por Daibem e transmitido ao vivo pela Rádio Eldorado (FM 92,9MHz), a partir das 21 horas. "O tema da aula, já que sempre precisamos de um tema, é suingue ao piano. Mas como se trata de Johnny Alf, tudo pode acontecer. Ele vai ter total liberdade para comandar a aula-show", explica Daibem. O Sala do Professor Buchanan´s é a versão ao vivo do programa Sala dos Professores, que Daibem vem apresentando na Eldorado há dois anos, todas as segundas, quartas e sextas-feiras, às 19h40. O objetivo é derrubar a idéia de que jazz é coisa para poucos, como vinho e charuto. "Não é o jazz que é sofisticado, a gente é que anda medíocre demais", diz Daibem. A inspiração de Daibem para levar o jazz de maneira didática para o rádio veio das aulas de guitarra que ele mesmo freqüenta, há cinco anos, com o professor de música Levy Miranda, da escola Groove, em Pinheiros. "Quando eu cheguei lá, era super-rock´n´roll. Gostava de jazz, mas não entendia", conta ele. "Vi o jeito que o Levy ensina lá na escola e pensei: por que não fazer isso no rádio?" De rocker para jazzman, Daibem prega que não é possível gostar de jazz e curtir um show sem entendê-lo de fato. Numa comparação inevitável com o futebol, exemplifica: "Que graça teria assistir a uma partida sem saber o que é escanteio e pênalti? Você iria vibrar com o quê? O jazz é a mesma coisa, é um idioma. E não é só o músico que precisa saber o que está acontecendo, a platéia, também." Para ensinar esse idioma, Daibem usa a obra dos grandes nomes que criaram o jazz. Desfilam no Sala dos Professores, em grandes sucessos ou em gravações mais obscuras, nomes como Miles Davis, Chet Baker e Ella Fitzgerald. Mas pode aparecer por ali um João Bosco em trilha do antigo Sítio do Pica-Pau Amarelo ou um Gilberto Gil em Lamento Sertanejo. "O professor não sou eu, são os caras que a gente ouve no programa. Assim, não entra bico - o Sala dos Professores é uma lista pequena de músicos que passaram pela Terra ou ainda estão aqui para passar esse conhecimento da música, que é suingue, melodia e ritmo", explica o apresentador. Assim, além das informações histórias e biográficas, o apresentador dá o caminho para o ouvinte entender os detalhes de cada música e saber reconhecer os detalhes dela. Tudo para que a gente tenha condições de saber o que está acontecendo quando a gente vir uma jazz band improvisando no palco - a improvisação no jazz não é um "cada um por si" como parece ao leigo, ensina Daibem. Ao vivo, nem é preciso dizer, é muito mais fácil aprender. "A aula do Bourbon é uma maneira de mostrar ao vivo como funciona o jazz. Nas sessões anteriores, fizemos alguns exemplos com os músicos no palco. Levei até plaquinhas explicativas", conta o apresentador. "Procuro fazer a pessoa ouvir só o contrabaixo ou só a bateria de uma música." A aula-show de hoje com Johnny Alf é a quarta do Sala do Professor Buchanan´s. A primeira teve o trombonista Paulo Boccato apresentando o trombone; na segunda, o programa falou sobre o órgão Hammond B3, com a presença do guitarrista Bina Coquet e do organista Ehud Asherie, e a terceira, sobre voz feminina no jazz, recebeu a cantora Ana Cañas. Por enquanto, o projeto tem previsão de ocorrer até junho - a última aula está marcada para o dia 17 de junho e ainda não tem atração confirmada. O programa fica meia hora no ar, mas lá no Bourbon o show continua. Depois da apresentação de Johnny Alf, que estará acompanhado de seu quarteto, sobem no palco Zé Ricardo e o soul man de Los Angeles Victor Brooks. Para esquentar motores, Daibem fez, especialmente para esta reportagem, uma lista com cinco CDs essenciais para quem se aventurar pelos caminhos do jazz e não sabe ainda nem por onde começar. "Nas grandes lojas, os CDs de jazz ficam escondidos em redomas de vidro, como algo intocável. Acho que o jazz tinha de ficar no meio de coisas bem porcaria, para as pessoas levarem até sem saber o que é", brinca ele. Sala do Professor Buchanan´s. Bourbon Street Music Club. Rua dos Chanés, 127, 5095-6100. 3.ª, 20h30. R$ 25

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