John Scofield traz influência funk

Em se tratando de Brasil, o guitarrista norte-americano John Scofield não é marinheiro de primeira viagem. Atração dessa quinta-feira dentro do projeto Diners Club Jazz Nights, no Bourbon Street Music Club, o músico já veio ao País outras duas vezes. "Estive no Brasil pela primeira vez no fim dos anos 80, numa das edições do Free Jazz Festival, acompanhando meu amigo Herbie Hancock; no ano passado vim com minha banda para apresentações no Heineken Concerts", conta ele animadíssimo, de sua casa em Nova York.A afinidade com o Brasil não pára por aí. O "rei da guitarra jazzística", título proferido em 1994 pela revista especializada Down Beat, tem relação estreita com a colônia musical brasileira radicada na América do Norte - freqüentou o mesmo curso que o contrabaixista Zeca Assumpção na Universidade de Berklee. Os dois chegaram a tocar juntos no palco do Heineken. "Conheci grandes amigos aqui em Nova York, alguns deles são os excelentes Duda Fonseca (baterista) e Victor Assis Brasil (saxofonista)."Segundo Scofield, seu interesse pela musicalidade do Brasil está exatamente na origem do gênero. "Tanto o jazz quanto a música brasileira têm a África como raiz rítmica", teoriza. "Basta ouvir a riqueza melódica do samba e da bossa nova."Em paralelo às reflexões "rítmico-brasilianistas", outra paixão do músico é a levada malemolente do funk. Isso fica claro ao longo das faixas do álbum Bump (Universal), base do show que o artista faz na casa de espetáculos de Moema. "Apesar de apresentar ritmos diversos, Bump é totalmente funk", define ele. No entanto, o groove não é uma novidade no trabalho do guitarrista. No início dos anos 80, ele foi integrante do grupo de Miles Davis, o pioneiro da combinação funk jazz-rock fusion. "Isso faz parte dos momentos mágicos pelos quais passei na vida", diz ele, lembrando também de suas participações em turnês e estúdios de gravação de outras lendas jazzísticas como Gerry Mulligan, Billy Cobham, Charles Mingus e Chet Baker.Em Bump, o músico faz uso do recurso tecnológico do sampler. Ele diz que a idéia foi do tecladista Mark De Gil Antoni. Tinha restrições quanto a isso? "Hoje vejo o hip-hop (que usa bastante o recurso) com muita simpatia, apesar de já ter achado o rap meio chato; mas dependendo da maneira como o sampler é usado, o resultado soa muito verdadeiro", continua. "Não se pode ter preconceitos, a atual cena do jazz é muito diversificada, mas não diria que os garotos estão fazendo uma música totalmente nova, eles fazem sim é uma música diferente."A visão generosa para com os novos nomes do gênero, aproximou John Scofield dos vanguardistas contemporâneos Medeski Martin & Wood. O encontro rendeu o belo álbum A Go Go (1998). "Eu adoro o Medeski, ele é um futurista-retrô e um dos exemplos do que eu falei sobre diversificação."O baixista Jesse Murphy, o guitarrista Avi Bortnick, responsável também pelos sequencers, e o baterista Ben Perowsky, acompanham John Scofield no show de logo mais à noite. O guitarrista promete, além das músicas presentes no repertório dos dois álbuns mais recentes, A Go Go e Bump, composições novas cheias de suingue. "Discos são legais, mas é claro que eu prefiro as apresentações ao vivo, elas são mais funk."John Scofield. Quinta-feira, às 22h15. R$ 45,00 e R$ 65 00. Bourbon Street. Rua dos Chanés, 127, tel. 5561-1643. Patrocínio do Diners Club

Agencia Estado,

25 de outubro de 2000 | 21h29

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