Jordan Strauss/Invision/AP
Jordan Strauss/Invision/AP

John Legend traz amor para o momento atual em 'Bigger Love'

Sexto disco do cantor e compositor americano pretende oferecer um alívio, mas artista mantém atuação política nos EUA

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2020 | 18h04

Quando John Legend gravou e produziu Bigger Love — seu sexto disco, o primeiro desde 2016 — George Floyd ainda não havia sido assassinado e os protestos que tomam conta do noticiário não estavam ocorrendo. Quando o disco sair, nesta sexta-feira, 19, porém, é nesse contexto que ele será ouvido.

Desde 2004 no centro da música popular americana, e desde 2014 um ativista organizado pela reforma do sistema prisional do país, Legend lança nesta convulsão política, sem mencionar a pandemia, aquele que define como seu álbum “mais sexy até aqui”.

“Esse disco é mais focado em esperança, alegria”, explicou o cantor, compositor e produtor em uma conferência virtual com jornalistas da imprensa internacional. “O anterior (Darkness and Light, 2016) era mais sobre estar preocupado, ansioso. Sou naturalmente um otimista, mas claro que presto atenção às notícias. Parte do meu trabalho é trazer um pouco de alegria às pessoas, e me sinto fazendo isso, também nesse momento.”

Ao mesmo tempo em que diz estar com raiva “porque outro homem negro foi morto pela polícia”, ele afirma se inspirar nas “coalizões interraciais” que tomaram as ruas dizendo que vidas negras importam. “Continuo a acreditar que seremos um lugar melhor para viver por conta dessas pessoas.”

Mesmo se reconhecendo um ser político (“para ser mais, só se eu concorrer em alguma eleição”, ri) e se orgulhar de ver canções suas sendo usados em marchas e protestos, Legend explora em Bigger Love outra região em que também se sente à vontade: o R&B moderno, sexy e envolvente, que pode ser usado, segundo o próprio, “para fazer bebês”.

“Sexo é importante”, atesta. “Além de ser um bom campo de teste para sua música.”

Novas canções como Conversations in the Dark e Slow Cooker — produzida pelo cantor e produtor americano Raphael Saadiq, não por acaso um dos parceiros de D’Angelo, referência contínua de John Legend — colocam as ideias à prova.

Os vários significados do amor também estavam na cabeça do cantor quando ele escreveu as músicas, e isso se reflete no disco. “O amor é uma coisa quando você está com um parceiro, com a família. Mas eu gosto de falar do amor num sentido maior, o que significa amar seu vizinho do outro lado da cidade, e também ver valor em pessoas que não vivem no mesmo lugar, que não se parecem. Isso é justiça, o amor de uma forma pública. Esse tipo de amor, eu acredito, pode salvar muitas coisas.”

Além da música título, Bigger Love, o fecho do álbum, Never Break, também ilustra essa ideia. “Essa canção fala sobre um amor resiliente, poderoso o suficiente para sobreviver a tempos difíceis”, explica o cantor.

I Do, produzida com o jovem Charlie Puth, foi feita sob medida para as pistas de dança de um mundo pré-pandemia. Wild, com Gary Clark Jr., dá prosseguimento ao moto contínuo de Legend de misturar influências tradicionais da música americana com elementos modernos de produção.

“Sempre foi assim, no passado havia muita fluidez entre black music e rock, havia trocas. Músicos sempre querem colaborar, falar com outros gêneros, não vemos as divisões de gênero como divisões em preto e branco. A era do streaming favorece ainda mais os riscos de ir nessas direções”, reflete o cantor. Entre as colaborações do disco, também estão Jhene Aiko e Rapsody.

Bigger Love está disponível nas plataformas digitais nesta sexta-feira, 19.

Veja alguns dos clipes já lançados pelo cantor:

 

Tudo o que sabemos sobre:
John LegendmúsicaCharlie Puth

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.