João Lee, filho de Rita, comanda a prévia do Skol Beats

João Lee levava uma vida sossegada, como nos versos de uma das canções mais famosas de sua mãe, a madrinha do rock brasuca, Rita Lee. "Ao contrário dos meus irmãos, que desde cedo aprenderam a tocar um instrumento com meu pai (Roberto de Carvalho), eu nunca tive muita paciência. Gostava mesmo era de jogar futebol", conta. Porém, ele não chegou a tornar-se um craque dos gramados. Talvez, no bom sentido, a "ovelha negra" da família roqueira. "Desde os meus 13, 14 anos, eu curtia música eletrônica e quando meus pais perceberam, passaram a me incentivar", explica o artista de 26 anos, sete deles dedicados a profissionalmente a encher as pistas de dança. O DJ tem sido figurinha carimbada em festas no sul do Brasil. "Vou bastante a Curitiba, Londrina, Maringá e Florianópolis. São alguns dos melhores lugares para se tocar. Desde a minha estréia, sempre selecionei o público e local. Na época da faculdade, peguei mais leve, inclusive. A balada em São Paulo é boa também, embora eu não seja residente de nenhuma casa. O que quero mesmo é viajar por mais cidades no Brasil", resume João. O conhecimento pelos próprios méritos não é nada mal. "Se algum dia alguém me contratou por eu ser filho de quem sou, teve a oportunidade de conhecer meu trabalho. Nunca senti nenhum tipo de cobrança na pele para que eu fosse como eles", explica. Turnê internacionalNo segundo semestre, João Lee fará turnê internacional. Ele já vem acionando seus contatos há quase dois anos com nomes de peso como o DJ Mark Knight (selo Toolroom), que conheceu em uma conferência em Miami. Além dele, Funkagenda, Jason Herd (produtor)e Erick Morillo (Subliminal Records) figuram na agenda do rapaz. O intercâmbio de músicas e festas lá e aqui anda a mil. Talvez pelo Toolroom deva sair seu disco de estréia no mercado. Fiel à house music desde que era iniciante na discotecagem, João Lee entrou no circuito juntamente com o amigo Paulinho Boghosian, DJ oficial da Versace no País e considerado um dos mais sofisticados do gênero. "Não tenho nada contra, mas trance, psicodélico e drum´ n´ bass não são a minha praia. Faço um set bem musical e vou somando a elementos mais modernos", ensina. No entanto, o passo a frente não o impede de olhar para trás e revisitar sucessos da mamãe como Lança Perfume, de 1980. "O remix da música ficou muito legal. Sou fã dos meus pais, mas trabalho com o que me agrada. É preciso ter o feeling para perceber o quanto a composição é atual e usar as batidas de uma forma bem sutil", diz. O rock de Rita e RobertoNão foi a primeira vez que João esbarrou no rock and roll de Rita Lee e Roberto de Carvalho. O DJ assinou as programações eletrônicas do álbum 3001 da mãe, que não deixa de lado as guitarras e, ao mesmo tempo, remete à sonoridade visionária dos tempos dos Mutantes. "Eu tenho vontade de trabalhar com outros artistas da geração dela como o Gilberto Gil. O problema é ficar pedindo liberação para gravadora. E tem um outro cara com eu quero ainda fazer parceria, o D2. Admiro muito o trabalho dele", avisa. Nos estúdios, João Lee sente-se tão em casa quanto comandando as picapes numa balada lotada. Por isso, o DJ vai se enveredando por outros territórios e criando projetos paralelos com os amigos Sílvio Conchon e Paulinho Boghosian. "Eu me lembro de que quando era garoto eu ia ver o Memê (DJ e produtor) na Base (uma das casas noturnas mais badaladas de São Paulo). Ele já havia produzido com meus pais e, ao longo dos anos, alimentei a vontade de fazermos uma parceria". Se existe um traço hereditário marcante de Rita Lee e Roberto de Carvalho na personalidade do filho DJ, é a visão aberta sobre a arte : "A música é como eu conto a história do meu jeito".

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