EDUARDO NICOLAU/ESTADÃO
EDUARDO NICOLAU/ESTADÃO

João Gilberto segue entre duas residências no Rio de Janeiro

Baiano fica entre um apartamento e uma casa na Gávea; músico resiste a ir a hospitais fazer exames e se importa com pouca coisa além de seu violão

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 06h00

João Gilberto está vivendo entre dois endereços pelo Rio de Janeiro. Os amigos próximos mantêm sigilo sobre suas localizações, mas uma fonte que o acompanha diz que ele fica entre uma residência de amigos na Gávea e outra em um apartamento que pertencia à irmã de Claudia Faissol, Heloisa, morta em 2017. Um terceiro endereço é o antigo apartamento no Leblon, de onde saiu levado por amigos há pouco mais de um mês. Apesar de João não ter voltado para lá, as chaves ainda não foram entregues aos proprietários e o imóvel da Rua Carlos Góis segue com móveis e outros pertences de João.

João Gilberto manifesta a vontade de ir para um hotel, mas seu desprendimento o obrigaria a contar com dinheiro que, mesmo quando seu, é administrado por terceiros. “Ele só quer seu baseadinho, sua comidinha e seu violão por perto. Não liga para mais nada”, conta um amigo. Sua última experiência em um lugar assim não foi das melhores. Em 2015, Bebel o colocou no Copacabana Palace. Quando saíram, sem fazer alarde, tinham uma conta de R$ 100 mil.

Aos 86 anos, João saiu do Leblon, onde morou por mais de 10 anos, inspirando cuidados pela idade, embora aparentemente não apresentasse nenhum problema de saúde. Amigos como Caetano Veloso tentaram, por telefone, convencê-lo a ir a um hospital fazer exames, mas João seguiu fiel ao seu histórico de nunca ter pisado em um hospital na vida. Uma mancha de pele, na altura do peito, merece um exame de biópsia, mas João não se mostra preocupado com isso.

Bebel Gilberto, sua filha, luta na Justiça para ter a curatela definitiva do pai. Com esse artifício, Bebel, na prática, passaria a ser João Gilberto, assinando documentos e tomando decisões importantes por ele. Quem está por perto diz ser Bebel “a única pessoa que se importa verdadeiramente com João”. O nome de João tem implicações jurídicas graves, com processos movidos por credores de shows que ele deixou de fazer e uma pendenga com a gravadora EMI pelos direitos de discos lançados à sua revelia no exterior.

João Marcelo, seu filho que mora nos EUA, moveu uma ação contra o pai para o pagamento de pensão alimentícia para uma neta de 2 anos. João justificou dizendo que o processo foi para que ele tomasse par da situação financeira do pai. Bebel e João romperam. A mulher que tem uma filha de João, Claudia Faissol, também não tem mais relações com a família (ela não respondeu aos e-mails da reportagem). Há ainda na história a quantia de R$ 5 milhões conseguidos com a venda de direitos de João ao banco Opportunity, um dindim que João jamais viu. 

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