"João e Maria" busca público novo para ópera

Estréia na sexta-feira no Teatro Municipal de São Paulo uma montagem da ópera Hänsel e Gretel, do alemão Engelbert Humperdinck. Traduzida para João e Maria, a produção - encabeçada pelo maestro Jamil Maluf e pelo diretor Flávio de Souza - é uma oportunidade de ver de perto o talento já comprovado da meio-soprano Denise de Freitas, além de marcar a volta da soprano Andréa Ferreira, radicada na Itália, aos palcos de ópera da cidade. Infelizmente marca também o aumento do preço dos ingressos de ópera no Municipal paulistano, dos R$ 50 (da Força do Destino de 2001) e R$ 60 (da Carmen de março) para R$ 100.Além de Denise (que canta o papel de João) e Andrea (que será Maria), a montagem também tem no elenco a meio-soprano Regina Elena Mesquita (como a Bruxa), o barítono Paulo Szot e a meio-soprano Luciana Bueno (os pais das crianças), e as sopranos Guiomar Milan (gênio do sono) e Edna D´Oliveira (Fada do Orvalho) - prova de que faz cada vez menos sentido deixar de lado o talento nacional. Também participam da montagem alunos da Escola Municipal de Bailado e o Coral Infanto-Juvenil da Escola Municipal de Música. A intenção da direção é, se a ópera surgiu como uma brincadeira de criança, manter esse espírito, buscando manter a simplicidade da música de Humperdinck e atraindo um público novo, o infantil, para as casas de ópera. Daí surgiram conseqüências como a tradução para o português do texto, feita por Dante Pignatari e Jamil Maluf. Ou o cuidadoso trabalho de "limpeza" da partitura a fim de, apesar da complexidade da escrita da ópera, fazer a música soar simples."Há momentos, por exemplo, em que ele utiliza quatro temas diferentes ao mesmo tempo, mas a música não soa excessiva ou confusa. Saber captar esta essência é o grande desafio da orquestra", diz Maluf, que já pensa em Romeu e Julieta, de Gounod, como a ópera da Experimental de Repertório para o ano que vem.Para Flávio de Souza, o desafio foi usar ao máximo recursos visuais que pudessem explicitar o que diz a música, dando fluência ao espetáculo. "Se você coloca os cantores parados cantando, não prende a atração das crianças de jeito nenhum." Uma das inovações do espetáculo é a utilização dos recursos do teatro negro para ressaltar a parte mágica do espetáculo e dialogar com os cenários e figurinos de Fernando Anhê, diretor da Cia. Imago de Animação."Causa um efeito maior quando a bruxa voa pelo palco sem que se vejam as cordas que a sustentam, por exemplo", diz Anhê, que, ao lado de 18 pessoas, confeccionou todos os cenários em um espaço localizado embaixo do Viaduto do Chá, recentemente doado à Secretaria Municipal de Cultura.Flávio de Souza acredita que a ópera tem duas mensagens principais para as crianças. A primeira, extremamente sem graça em sua opinião, é a de que "quando não se tem pão, Deus estende a mão". A segunda: "A ópera mostra que uma criança pode sobreviver, eles ficam perdidos, enfrentam a bruxa e sobrevivem. Está no inconsciente, você nem sabe, mas a mensagem está lá."Canto - Toda a concepção do espetáculo aposta no talento e na capacidade de atuar dos cantores. "A música é rica e difícil e quando cantamos em português fica mais ainda, não temos nenhum tipo de referência", diz Andréa Ferreira, que ressalta também a importância das muitas sessões de ensaios, a fim de permitir a melhor absorção do texto. "Em português, no entanto, a ópera faz mais sentido, a comunicação é mais imediata." Para Regina Elena Mesquita, uma bruxa que ressalta o lado cômico da personagem, "a dicção precisa ser a mais clara possível".Serviço - João e Maria. De Adelheid Wette. Música de Engelbert Humperdinck. Com a Orquestra Experimental de Repertório e Cia. Imago de Animação. Regência de Jamil Maluf. Sexta e terça, às 20h30; domingo, às 17 horas. De R$ 15,00 a R$ 100,00. Quinta (13), às 18 horas. De R$ 10,00 a R$ 50,00. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, em São Paulo, tel. 222-8698

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.