João Bosco faz show no Tom Brasil

Lançado em agosto, o CD Na Esquina foi produzido cuidadosamente. Teve, além da percepção madura do autor, João Bosco, qualidades como os arranjos para orquestra de Jacques Morelenbaum. João é tão cauteloso, trabalha como escultor da música, que, para a estréia desse repertório, refez os arranjos, chamou novos músicos e elaborou um roteiro para saciar o público. Sexta e sábado, ele se apresenta no Tom Brasil."Não me fascina reproduzir em palco o que foi feito no disco, são situações muito diferentes, peculiares", afirma. "O roteiro de um show tem de ser pensado, a satisfação da platéia é fundamental, sendo assim, tenho de interpretar desde composições marcantes com alguns parceiros, como Aldir Blanc (sucessos do início da carreira), até as canções mais românticas, os boleros, que definem certo momento da minha trajetória e são muito pedidas, em especial, pelo público feminino, com o qual não quero me indispor."A primeira parte da apresentação congrega os conceitos de Na Esquina. Ou seja, um momento em que as várias influências e criações de João se expõem na forma de harmonias, melodias, poesia e ritmos. São as antigas e novas tendências dialogando. "Não é fácil nomear, mas os cruzamentos musicais convergem em ritmos negros, alegorias jazzísticas, acentuações caribenhas, pop e a música de hoje, que amarra o novo trabalho" conta. Depois da "primeira meia hora", há um desdobramento mais acústico e, em seguida, a fase mais romântica. Prossegue então com os sambas - sejam os compostos com Aldir ou os mais recentes do CD As Mil e Uma Aldeias, em que introduziu a cítara no samba-enredo - e grooves. Termina com o bis, mais suscetível a mudanças. A carreira de João é extensa e qualitativa. Parte dela será revista num songbook, editado por Almir Chediak, pela Lumiar Editora, no ano que vem.João estreita em Na Esquina a relação musical com o filho, Francisco. Os dois assinam as nove composições e três versões. A participação de Francisco no trabalho de João é determinante desde 1997, quando o compositor lançou As Mil e Uma Aldeias.Segundo ele, a canção Beirando a Rumba é prova do entrosamento da parceria, que não ocorre somente por causa dos laços familiares. "Ela reúne todas as nossas fronteiras entre o sofisticado e o simples, o erudito e o folclórico, que são, na verdade, limites difíceis para definir e, por isso, interessantes de serem trabalhadas", acredita. Se, por um lado, Na Esquina registra o amadurecimento poético da dobradinha João e Francisco, também reflete a indissociável ligação do violonista com a música negra, seja a de origem afro-americana, afro-cubana ou afro-brasileira.No show, João será acompanhado por Glauco Campelo (teclados), Kiko Freitas (bateria), João Batista (baixo), Marcos Lobo (percussão) e Nélson Faria (guitarra).João Bosco - Sexta e Sábado, às 22 horas; e domingo, às 20 horas. De R$ 25,00 a R$ 50,00. Tom Brasil. Rua das Olimpíadas 66, tel. 3845-2326. Até 22/10. Patrocínio: Volksvagen e O Site

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