Henrique Pontual/Divulgação
Henrique Pontual/Divulgação

João Bosco faz show em São Paulo e vai gravar disco com músicas inéditas

Cantor fala de sua parceria de mais de 40 anos com o compositor Aldir Blanc

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2017 | 03h00

Para quem estava sentindo falta de um disco com músicas inéditas do cantor e compositor João Bosco, 70, duas boas notícias: ele vai entrar em estúdio e, entre as composições que gravará, uma que fez com o seu parceiro inseparável, Aldir Blanc, 70. “Eu e Aldir sempre estamos fazendo alguma música. Nós nos conhecemos em 1970, bem no princípio. Desde a época, somos parceiros. Falamos quase todos os dias ao telefone e, como não poderia deixar de ser, estamos sempre sugerindo uma ou outra ideia musical. Estou entrando em estúdio para gravar um CD de inéditas e temos um samba, Duro na Queda”, revela o cantor em entrevista exclusiva por e-mail ao Estado. Ele se apresenta, de sexta, 10, a domingo, 12, no Sesc Vila Mariana.

Ao longo de mais de 40 anos de carreira, João Bosco compôs cerca de 100 músicas com Aldir Blanc, ele fazendo a melodia e Blanc, a letra, na maioria das vezes. Eles foram apresentados por um amigo de Blanc, Pedro Lourenço, quando Bosco estava começando a carreira em Ouro Preto, no final dos anos 1960. “Eu ficava tocando violão nos bares de Ouro Preto, quando um amigo do Aldir, Pedro Lourenço, se aproximou, após me ouvir tocando aquelas músicas somente com onomatopeias e fonemas africanos, e disse que tinha um amigo no Rio de Janeiro que ele, Pedro, apostava que iria gostar de ser meu parceiro”, conta.

Aldir foi até Ouro Preto, conheceu João Bosco e logo estavam compondo juntos. No ano em que o cantor se formou em Engenharia Civil, em 1972, Elis Regina (1945-1982) gravava uma música feita por eles, Bala com Bala

E, nesse mesmo ano, Bosco se lançava como cantor, quando uma música dele com Aldir, Agnus Sei, foi parar em um compacto simples, vendido nas bancas, fruto de um projeto realizado pelo jornal O Pasquim, em que um compositor conhecido apresentava uma nova promessa. “Era um projeto do jornal que visava lançar jovens compositores apadrinhados por algum consagrado, produzido por Sérgio Ricardo. Inauguramos a iniciativa com as honras de Tom Jobim. O lado B desse compacto simples era Agnus Sei e o lado A, a inédita Águas de Março”, diz.

Mas o convite de O Pasquim não foi obra do acaso, como lembra Bosco, ao falar de outro artista importante no início de sua trajetória. “Essa época inicial é principalmente uma consequência da atuação do Vinicius (de Moraes) e sua generosidade, ele que sempre ficava dizendo às pessoas, pessoalmente ou mesmo através de entrevistas em jornais e revistas, sobre a importância do nosso trabalho naquele momento. Ele acompanhava bem de perto o que Aldir e eu estávamos fazendo.”

Uma das composições que Bosco fez com Blanc, um dos grandes sucessos da carreira da dupla, O Bêbado e a Equilibrista, foi eternizada na interpretação pungente de Elis Regina. Bosco nunca deixou de cantá-la nos shows que vem fazendo ao longo de mais de 40 anos de carreira. “Elis foi tudo para mim. Uma aula de obstinação, intuição e um talento imensurável. Tinha uma antena que a transformava na mulher que sabia demais. A gravação de O Bêbado e a Equilibrista é de arrepiar. Elis e suas interpretações definitivas. Sempre estarei na primeira fila batendo palmas para ela”, elogia ele, que a considera a melhor intérprete de suas canções.

“A minha vida é um ‘João Bosco Solo’”, costuma dizer, ao se referir ao show no formato voz e violão que apresenta entre sexta, 10, e domingo, 12, no Sesc Vila Mariana, com ingressos esgotados. No repertório, ele mostrará seus grandes sucessos, registrados no seu recente trabalho CD/DVD 40 Anos Depois, de 2012. “Não dá para correr atrás da bola nem da polícia, como antes. Mas é preciso seguir sempre cantando”, acrescenta o artista. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.