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Jim Kerr, do Simple Minds, fala sobre o desafio de se renovar para as novas gerações

Banda fará apresentação única em São Paulo em outubro

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2013 | 19h39

Dono de um hotel de charme em Taormina, na Sicília, o cantor Jim Kerr, líder do grupo escocês Simple Minds, não parece um cara que um dia rivalizou com bandas como a gigante U2. Aos 54 anos, vive uma rotina pacata na maior parte do ano. Torcedor do Celtic de Glasgow, adora futebol. Esperava ver pela TV um amistoso, na semana passada, entre Escócia e Inglaterra, “nossos inimigos mortais”, enquanto aproveitava os últimos dias de um feriado na Itália.

“Eu tenho uma vida aqui, à parte da música. Como estou sempre falando a respeito, resolvi escrever um pouco. Todo mundo é fascinado pelas histórias da máfia”, disse Kerr ao Estado, explicando o motivo pelo qual criou um blog com as histórias da Sicília.

Kerr traz o Simple Minds a São Paulo no dia 8 de outubro para show único no Espaço das Américas. A banda detém um dos maiores sucessos dos anos 1980, Don’t You (Forget about Me), entre dezenas de outros, e está excursionando com a turnê retrospectiva Celebrate (nome de uma coletânea que acabam de lançar).

Voltando 36 anos no tempo, quando começou o grupo, Kerr já tinha alguma ideia do que o futuro lhe reservava? “Claro que não. Naquela época era muito diferente. Não havia o conceito de ‘carreira’, a gente apenas tocava torcendo para conseguir mais duas ou três turnês. Mas sempre sonhando, o que é maravilhoso”, afirmou o cantor.

Agora, entretanto, Kerr acha que o legado que construíram requer cuidado e atenção para se manter. “Há uma responsabilidade. Cada vez que tocamos, procuramos mostrar essas canções de um jeito fresco, poderoso, para as novas gerações, com um senso do fundamental. Você não precisa subir ao palco como um velhote olhando para seu catálogo do passado, tem de injetar vitalidade. De certa forma, é um bom desafio manter isso vivo. Ter um legado, mas manter isso antenado com seu tempo, não com um peso de museu.”

Jim Kerr conta que, no último ano e meio, o Simple Minds andou trabalhando em um disco de inéditas que sairá no próximo ano. A coletânea é parte de uma estratégia, admite. “A cada 5 ou 6 anos, há uma nova geração de garotos surgindo, e eles querem conhecer a história. É bom que encontrem um novo volume. Podem ser coisas remasterizadas, regravadas, remixadas. Fazia 10 anos que não lançávamos uma compilação. Essa é para a geração iTunes, um documento fresco condensado para conhecerem o que foi a música do Simple Minds.”

Recentemente, o produtor e DJ Mylo fez um álbum só com remixes do Simple Minds. Kerr aprovou. “Fomos uma das primeiras bandas a fazer versões estendidas, em 1982, 1983. Hoje não sabemos como fazer, mas esses garotos sabem. Eles usam a tecnologia, que é a ferramenta deles. O problema é que eles não se importam muito com a canção, mas com a colagem. Algumas vezes ouço bons resultados, outras não. Mas Mylo é bom, e é um garoto escocês também”, comentou.

“Cresci nos anos 1960, sou um amante do futebol, então o Brasil, para mim, sempre foi um lugar mágico. A primeira vez que estive no País, me dei conta de que é uma vasta cultura. Mais recentemente. o Brasil passou a ocupar manchetes por outros motivos. É um país em crescimento de novo, está adquirindo protagonismo na cena mundial. Vai ser legal ver como está sendo esse desenvolvimento, para onde está indo.”

SIMPLE MINDS

Espaço das Américas.

Rua Tagipuru, 795, 3864-5566. Dia 8/10, 22h30. R$ 200 / R$ 300 http://www.ticket360.com.br

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