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Jerry Paper vem a São Paulo para duas apresentações

Projeto criado pelo norte-americano Lucas Nathan se propõe a criar uma 'terapia coletiva' com os fãs

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2016 | 03h00

Da ensolarada califórnia, Lucas Nathan se mudou para Nova York aos 18 anos. “Era claustrofóbico”, ele lembra, ao telefone. Ali, fechado em seu próprio apartamento, deixou nascer a persona de Jerry Paper, o músico psicodélico, amalucado, que senta ao teclado vestindo um robe há pouco mais de dez anos. De volta ao estado da costa oeste norte-americana há quatro meses, por diferentes razões das quais ele não entrou em detalhes, ele já se preparava para a primeira aventura pelo Brasil. O artista chega, com robe e teclado, e ao lado do artista Jason Harvey, responsável pelas projeções no fundo do palco, para duas noites de shows em São Paulo. Ele se apresenta no Sesc Pompeia, nas noites de sexta, 8, e sábado, 9. 

Em cada uma delas, ele estará acompanhado de uma banda nacional. Nuven toca na primeira delas e o duo PARATI, na segunda. 

Como toda boa banda de um homem só, Lucas (ou Jerry) administra a própria página oficial do Facebook. E uma rápida olhadela por lá, é possível ver divertidas interações dele com fãs brasileiros, que pedem, em português, por uma turnê maior, passando outras cidades do País. Ele as responde em inglês, mas garante ter certo conhecimento da cultura daqui. “Eu amo Marcus Valle”, ele garante. “E o outro, por favor, não repare na minha incapacidade de falar o nome dele”, diz Jerry, antes de murmurar Arthur Verocai. “Ele é incrível.” 

Antes de se tornar Jerry Paper, Lucas conduzia outro projeto, chamado Zonotope, ainda mais experimental e espacial. Com ele, lançou quatro discos, depois compilados em uma coletânea que saiu em 2012. Já com o alter ego, ele deixa sua música cada vez mais palatável, embora igualmente viajante. “Como eu não queria lidar com o mundo de Nova York, acho que o Jerry apareceu”, ele conta. “De alguma forma, ele foi uma resposta a isso tudo.” 

Pela peculiaridade do som que produz, Lucas entende que suas canções, como aquelas da ótima safra recente dos discos Carousel (2015) e Big Pop For Chameleon World (2014), são vistas como “esquisitas” e “engraçadas”, mas de uma forma pejorativa. “Essas canções são uma forma de eu tentar me entender”, explica. “Esse meu estilo musical é desenvolvido através de uma auto-sabotagem. São canções que vêm de lugares que eu acho divertidos, que eu acho engraçados, mas elas são muito emocionais para mim.” Quando está no palco, a comunhão não é de Lucas com Jerry, ele garante, mas de Jerry com outros como ele que estão lá. “É uma espécie de terapia coletiva.” 

JERRY PAPER 

Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, 3865-0324. 6ª (8) e sáb. (9), às 21h. R$ 12 a R$ 40. Com Nuven (6ª) e PARATI (sáb.)

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