Zoran Hires / Divulgação
Zoran Hires / Divulgação

Jeff Tweedy, do Wilco: 'Sou bem menos interessante do que imaginam'

Banda de Chicago volta ao Brasil após 11 anos e fará 3 shows no País

Entrevista com

Jeff Tweedy

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2016 | 06h00

Qualquer conversa de Jeff Tweedy, vocalista, guitarrista e letrista do Wilco, com um brasileiro deve começar da mesma forma. Com um pedido de desculpas. Dessa vez, não foi diferente. “Desculpe por demorar tanto tempo para voltar ao país de vocês”, diz o músico de 49 anos. 

São 11 anos, no fim das contas, entre a primeira e única passagem da banda dele pelo Brasil – com apenas um único show, no Rio, como parte do Tim Festival. Desde essa época, a ligação entre Wilco e o País só cresceu. A ponto de, em 2012, uma fã brasileira ter criado o site “Is Wilco Coming to Brazil?” – “o Wilco vem ao Brasil?”, em tradução livre. A resposta era um melancólico “não” até a manhã de 25 de maio, quando o Popload Festival, ligado ao site de mesmo nome, anunciou a presença da trupe de Chicago, como parte da programação da quarta edição, realizada em 8 de outubro. Dois dias antes, a banda se apresenta no Rio (no Circo Voador). O Estado anuncia com exclusividade mais um show em território brasileiro: dia 9, domingo, o Wilco se apresenta no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, com ingressos a R$ 20. 

+ Saiba tudo sobre o show extra do Wilco em São Paulo

A banda está em turnê intensa com o recém-lançado disco Schmilco, uma contraparte com canções mais acústicas e intimistas do álbum anterior, Star Wars, do ano passado, cujas músicas eram dirigidas pelas guitarras barulhentas. “O que dificultou a nossa vinda ao País é que nossa equipe completa é muito grande. Somos 20 pessoas”, explica o vocalista. “Quem sabe não consigo ir sozinho para um show de voz e violão? As pessoas iriam gostar?” A resposta ele já sabe.

"Sou bem menos intessante do que imaginam"

A voz frágil de Jeff Tweedy, embalada ora por guitarras, ora por violões tipicamente country, é parceira ideal para os momentos de fossa. Com o Wilco, ele canta versos melancólicos sobre o fim, recomeço, saudade, ausências. Na vida real, o líder do grupo que volta ao Brasil após 11 anos para três apresentações não é nada disso. Diverte-se, inclusive, com esse personagem que criam sobre ele: “Sou bem menos interessante do que imaginam”. 

Li que as canções de Schmilco, o disco mais recente de vocês, foram criadas na mesma época que as músicas do Star Wars (2014). Por que lançar dois discos em vez de um? 

Isso já fazia parte do nosso plano. Nossos discos sempre tinham essa variedade, esses rocks barulhentos e canções mais calmas e acústicas. Fizemos muito disso. Dessa vez, quisemos separar essas canções, um pacote para cada lado. As barulhentas ficaram com o Star Wars e as mais calmas com o Schmilco. 

Como um álbum duplo? 

Se tivéssemos reunido as canções mais barulhentas com as acústicas em um só disco, ele soaria como o The Whole Love (disco de 2011). Foi mais satisfatório manter essa atmosfera. 

Curiosamente, a música mais barulhenta de Schmilco, Locator, foi a primeira a ser lançada. 

Sim. Não queríamos que as pessoas criassem uma ideia preconcebida do disco. Queremos sempre que as pessoas ouçam nosso disco como se fosse uma nova banda. 

É revigorante artisticamente? 

Nosso objetivo é sempre lançar um disco que ninguém tenha lançado, seja o Wilco ou qualquer outra banda. 

Ouça Schmilco

Star Wars, o disco, saiu no mesmo ano que o novo longa da saga Star Wars, em 2015. Você realmente não sabia do filme? 

Talvez alguma parte do meu cérebro pudesse saber, mas não foi consciente. É um título que me parece bonito e, ao mesmo tempo, desorientador. 

Em três anos, você lançou três discos – dois com o Wilco e um com o projeto Tweedy (no qual você toca com o filho). A que se deve essa fase criativa? 

Minha esposa teve essa doença (um tipo raro de linfoma) e acabei passando mais tempo em casa, para cuidar dela. Nos 20 anos de Wilco, nunca tinha ficado tanto tempo em casa. Isso me proporcionou mais oportunidades para ir para o estúdio que tenho em casa. Era uma boa chance de pensar em novas canções. Tenho mais material para lançar. E, emocionalmente, estou bem, já que ela se recuperou. 

Vem mais um disco por aí? 

Tenho gravado sozinho e com meu filho (Spencer, com quem ele lançou o disco ‘Sukierae’, em 2014). O irmão dele, Sam (de 16 anos), também está interessado em tocar conosco. De qualquer forma, acabamos de lançar o Schmilco e estou feliz em executar essas canções. 

As pessoas imaginam que você seja alguém melancólico, como nas canções. Como lidar com essa expectativa? 

É difícil ouvir alguém cantando e não pensar que a pessoa está falando dela – em vez de um personagem. E acho que as pessoas se encontram nas minhas músicas porque deixo espaço para elas entrarem. Não posso ser tudo o que projetam de mim, ao mesmo tempo fico feliz que as pessoas me vejam dessa forma. A verdade é que sou bem menos interessante do que as pessoas imaginam. 

SERVIÇOS

POPLOAD FESTIVAL

Urban Stage. R. Voluntários da Pátria, 498, 2309-4061. Sáb. 8/10, às 15h (abertura dos portões).

R$ 300 a R$ 500

WILCO NO POPLOAD 10 ANOS 

Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, 3629-1075. Dom. 9/10, às 19h.

R$ 20 (venda a partir de 30/9)

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