Jazz Sinfônica quer reunir os maiores da música

A Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo completou dez anos em em 2000 mostrando amadurecimento tanto no quesito da qualidade instrumental quanto na proposta de dar tratamento sinfônico à música brasileira. Agora, este corpo estável inicia o milênio empenhado no projeto de uma série de seis espetáculos, na Sala São Paulo, convidando importantes instrumentistas da cena musical de hoje, como Paquito D´Rivera. As apresentações deverão ser registradas num CD. Para isso, a Jazz Sinfônica está em busca de patrocínio."Ainda não tínhamos montado uma série de espetáculos convidando apenas instrumentistas da nossa época", afirma Roberto Debouch, um dos responsáveis pela produção. "Já promovemos encontros da Jazz Sinfônica com intérpretes e compositores da música popular brasileira, mas, agora, queremos trilhar esse novo caminho, ainda pouco explorado pela orquestra."Nesse sentido de "explorar novos caminhos", esse projeto deverá ressaltar uma das principais características da Jazz Sinfônica: a experimentação. O compositor Arrigo Barnabé, quando idealizou a orquestra, tinha em mente desenvolver um trabalho sem amarras artísticas. E, no decorrer de dez anos, parte desse objetivo foi alcançada. Arrigo conta que, em 1989, quando foi integrar a Secretaria de Estado da Cultura, a Jazz Sinfônica era um dos principais projetos. "Existia um número relevante de músicos de excelente formação erudita que tinha ficado órfão de trabalho com o fim das orquestras de rádio e televisão", lembra. "Num encontro no bairro do Bixiga, me dei conta desse contigente de bons instrumentistas - que sempre se reuniam para tocar, como se fossem ensaiar para manter o ritmo - e de como poderia ser rica a junção deles. Eles tinham tanto a flexibilidade para o improviso quanto o domínio da linguagem sinfônica. Eu não acreditava que tanta gente boa, que ficou desempregada com o rompimento, por exemplo, da orquestra da TV Globo, não tivesse nem espaço para ensaiar." Hoje, a Jazz é formada por 85 músicos.Arrigo Barnabé procurou o compositor Eduardo Gudin e, com ele, cuidou da formação da Jazz Sinfônica. A proposta de seguir os moldes da extinta orquestra da TV Tupi manteve-se, mas foi inserida nesse novo corpo a idéia da experimentação, seja na escolha do repertório ou na participação de músicos de destaque na cena popular. Assim, a cada apresentação, o grupo reafirma, com o tratamento sinfônico dado à música popular, que uma orquestra pode e deve incorporar os avanços musicais de sua época.Gudin, naquele período, convidou o maestro Cyro Pereira para fazer parte do conjunto. Cyro, que ainda rege a Jazz Sinfônica, foi maestro da orquestra da TV Record durante muitos anos. Ali, viveu a época dos grandes festivais da MPB e, quando a Record dispensou os músicos, em 1974, ele foi para a Tupi, que logo entraria em processo de falência. Amilson Godoy, Luis Arruda Paes e Sérgio Porto fizeram parte desse corpo inicial. A opinião deles determinou a escolha de cabeças de naipe, os líderes de cada seção da Jazz Sinfônica. Grande parte desse elenco ainda está no grupo, como o músico Marcelo Jaffé, que hoje responde pela direção artística do grupo.Orçamento - O projeto Orquestra Jazz Sinfônica Convida, que pretende reunir instrumentistas de renome internacional, está orçado em R$ 568.916,00, mas, inscrito na Lei Rouanet, pode ter o seu valor abatido do Imposto de Renda. Os interessados em patrocinar a orquestra podem entrar em contato com a TSA Marketing Cultural e Eventos, pelo telefone (0--11) 5574-0002 ou e-mail tsa.mkt@terra.com.br.

Agencia Estado,

05 de janeiro de 2001 | 01h12

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