Gaelen Morse
Gaelen Morse

Jay-Z, Foo Fighters e Carole King entram para o Hall da Fama do Rock'n'Roll

Cerimônia contou com outras presenças marcantes como Barack Obama, Taylor Swift e Paul McCartney, que cantou sucesso dos Beatles com a banda de Dave Grohl

Andy Downing, The New York Times

31 de outubro de 2021 | 17h29

Como muitas premiações durante a pandemia, o Hall da Fama do Rock'n'Roll aconteceu de forma virtual em 2020. Na noite de sábado, 30, no Rocket Mortgage FieldHouse em Cleveland, onde a organização do museu está sediada, o evento voltou com uma poderosa linha de frente para laurear sua 36ª turma anual: um ex-presidente dos Estados Unidos, Taylor Swift e um Beatle.

Um vídeo de introdução para Jay-Z mostrou o amplo alcance do rapper de Nova York com uma homenagem feita por Barack Obama. "Eu ouvi as palavras de Jay-Z em diferentes momentos da minha vida, fosse tirando a sujeita do meu ombro [referência à música Dirt Off Your Shoulder, em inglês] durante a campanha ou sampleando suas letras na ponte Edmund Pettus no 50º aniversário da marcha de Selma a Montgomery", disse Obama, que falou em um grupo que também contou com Beyoncé, Chris Rock e LeBron James.

O comediante Dave Chappelle, que fez a apresentação formal de Jay-Z na arena, abriu com "Eu gostaria de pedir desculpas..." - Uma aparente referência à controvérsia envolvendo seu especial da Netflix, The Closer - antes de chegar ao tema em questão: O eterno senso de calmaria de Jay-Z e como ele permaneceu fiel à sua comunidade ao longo das décadas.

"Quando ele disse que isso é Jay todo dia. Quando nos contou que ele nunca muda. Você ouve isso, e você provavelmente diria que é uma pessoa branca, 'Bem, talvez esse cara devesse focar no seu desenvolvimento'", disse Chappelle. "Mas o que nós ouvimos é que ele nunca vai nos esquecer. Ele sempre vai lembrar de nós. E nós somos seu ponto de referência. Que ele vai nos mostrar o quão longe nós podemos ir se nós apenas conseguirmos agarrar a oportunidade".

Vestindo um smoking, Jay-Z, que não se apresentou, prosseguiu com um encantador e, às vezes, vago, discurso de 10 minutos em que se referiu aos seus mentores e pares que lhe guiaram: LL Cool J (que recebeu um prêmio por sua excelência musical no saábado após não ter sido votado em sua sexta indicação), KRS-One, Rakim e Chuck D, entre outros. "Quando crescíamos, nós não achávamos que poderíamos ser indicados ao Hall da Fama do Rock'n'Roll". "Nos era dito que o hip-hop era passageiro. Assim como o punk rock, ele nos deu essa anti-cultura, esse subgênero, e tivemos heróis nisso". De forma esperançosa, ele acrescentou ao fim de sua fala, que está mostrando à "próxima geração que tudo é possível".

Jay-Z se fez parte de uma das mais diversas turmas do Hall do Rock: Carole King, cantora e compositora que foi premiada pela organização em 1990 com seu parceiro de composição musical e ex-marido Gerry Goffin; Foo Fighters, cujo líder, Dave Grohl, traçou a longevidade da banda aos laços familiares desenvolvidos entre os músicos; a incansável e enérgica Tina Turner, finalmente empossada como cantora solo após ter ganho sua entrada como parte de Ike e Tina Turner, em 1991; a banda de power-pop dos anos 1980 the Go-Go's, exaltados como o som da "pura possibilidade" em uma introdução calorosa por Drew Barrymore; e o autor de classic rock Todd Rundgren, que recentemente revelou ao TMZ que "nunca livou muito para o Hall da Fama" e permaneceu fiel à sua palavra, faltando ao evento para se apresentar em um show solo em Cincinnati.

A HBO vai mostrar os melhores momentos da cerimônia do sábado no dia 20 de novembro [nos Estados Unidos].

O discurso de Jay-Z, repleto de memórias e apartes, demonstrou bem como mesmo em uma infinidade de grandes personalidades reunidas em um dos maiores locais de Cleveland, o evento costuma se centrar em momentos mais íntimos.

Swift ajudou a estabelecer um tom mais pessoal, quando em seu discurso para King relembrou a época em que tinha sete anos e costumava dançar pela sua casa vestindo meias enquando ouvia às gravações da cantora. "Não consigo me lembrar de um tempo em que eu não conhecesse a música de Carole King", disse Swift, que então descreveu a forma aparentemente mágica que as músicas de King podem ser apresentadas a um estranho - um parente, um irmão, um amor - apenas para se tornar parte integral do próprio mundo interno de uma pessoa. 

Swift incorporou essa ideia em sua performance de abertura do evento, passando por Will You Love Me  Tomorrow, que Swift reinventou como uma balada de synth-pop suave e pulsante que não se sentiria fora do lugar em sua própria discografia. King, que pôde ser vista no telão enxugando as lágrimas enquanto Swift terminava de cantar, agradeceu à estrela do pop por "carregar a tocha adiante", em suas próprias palavras.

"Eu continuo ouvindo isso, então eu presumo que vou ter que acabar aceitando isso, que as mulheres cantoras e compositoras de hoje estão em meus obros", disse King, que foi rápida em extender o holofote a seus próprios ancestrais. "Não esqueçamos que elas também estiveram nos ombros da primeira mulher a ser eternizada no Hall da Fama do Rock'n'Roll. Que ela descanse em poder, senhora Aretha Franklin!"

Em seu discurso para os Foo Fighters, Paul McCartney indicou em tom bem-humorado como Grohl seguiu seus próprios passos. Ambos entraram para o mundo da música quando jovens, disse McCartney, chegando a grupos populares que tiveram um fim prematuro. Ambos deram a volta por cima fazendo discos tocando todas as partes musicais (Grothl com a estreia auto-intitulada Foo Fighters, em 1995; McCartney com seu álbum solo de 1970). "Vocês acham que esse cara está me perseguindo?", brincou o Beatle.

No palco, Grohl, nascido em Warren, Ohio, cerca de 60 milhas a leste do Hall do Rock, ressaltou a influência dos Beatles e em particular de McCartney, descrevendo-o como "meu professor de música". Após os Foo Fighters cantarem um trio de rocks cantantes testadas em batalha - The Best of Your, My Hero e Everlong - McCartney retribuiu o favor, se juntando à banda para um galopante cover dos Beatles em Get Back

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