Jaroussky está no auge do talento e amadurecimento

Jaroussky está no auge do talento e amadurecimento

Contratenor frânces fez excelente apresentação nesta terça, 11, na Sala São Paulo

João Marcos Coelho , Especial para O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2014 | 20h19

Não foi apenas a voz miraculosa do contratenor Philippe Jaroussky, por si só um banquete musical refinadíssimo, o que diferenciou a noitada Vivaldi de terça-feira, 11, na Sala São Paulo, encerrando a temporada 2014 da Sociedade de Cultura Artística. O maior destaque pode ter sido a telepática interação entre o cantor e os músicos do seu Ensemble Artaserse. As inflexões instrumentais rebatiam, como num virtuoso espelho, no timbre delicadíssimo da voz de Jaroussky. Cada construção de frase, cada dinâmica – tudo caminhou juntinho, fundido num só discurso musical sempre envolvente. Tanto assim que a junção sem aplausos do concerto para cordas RV 120 com o Stabat Mater funcionou bem. 

Em entrevista ao Estado, Jaroussky diz que fundou seu próprio grupo instrumental porque cansou de se apresentar precariamente após dois ou três ensaios apressados com terceiros. Justo. Só se consegue qualidade quando a interpretação amadurece simultaneamente, entre os músicos e o cantor.

No auge de seu talento e amadurecimento, ele exibe completo controle de respiração, agilidade espantosa, sustentação diáfana de notas e afinação irretocável. Assisti-lo em cena é eletrizante. Ainda mais neste retorno à fonte de Vivaldi e do século 18 após inúmeras aventuras por outros repertórios (incluindo o estupendo CD de melodies francesas Opium, de 2009). Na terça, Jaroussky reproduziu as peças mais importantes de seu recentíssimo CD Pietà, também consagrado a Vivaldi: Stabat Mater e Longa mala, umbrae terrores. Na primeira, de 1712, termina num incrível Amen depois de oito curtos recitativos e árias; o segundo, um moteto de 1730, avança na exploração mais atrevida do virtuosismo vocal, concluindo com um feérico Aleluia.

A escolha das árias líricas de óperas como Orlando finto pazzo, Il Giustino e L’Olimpiade na segunda parte foi perfeita para uma demonstração diversificada do talento de Jaroussky. Elas emolduraram o embate vertiginoso central entre os dois violinos solistas no conhecido Concerto para dois violinos, o oitavo dos doze do opus 3 intitulado L’Estro Armonico.

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