James Carter abre as noites de jazz do Diners Club

Em 1997, durante o JVC JazzFestival, um time all stars de músicos reuniu-se no palco doCarnegie Hall, em Nova York, para uma sessão entre amigos.Estavam lá o veterano baterista Elvin Jones, o trompetistaWynton Marsalis, o baixista Ron Carter, o pianista McCoy Tyner eo saxofonista James Carter, entre outros. Esse último era ocaçula, mas também já um veterano.O som distinto do sax de James Carter pode serencontrado em alguns dos mais fabulosos trabalhos de jazzrecentes, como o disco M2, do baixista Marcus Miller; Dreamland, cult absoluto da cantora Madeleine Peyroux; e Soul Food, do pianista Cyrus Chestnut.É esse artista que faz esforços em todas as direções damúsica que desembarca hoje em São Paulo para concerto no BourbonStreet Music Club, abrindo a série Diners Club Jazz Nights noseu segundo semestre. Além do show de amanhã à noite, Carter também dá uma master class na quinta-feira na Faculdade Santa Marcelina.Carter vem com seu Organ Trio - ele no saxofone, maisGerard Gibbs pilotando um órgão Hammond B3 e Leonard King nabateria. No repertório, standards como Winter Meeting esurpresas como Killer Joe e Along Came Betty, do veterano Benny Golson.James Carter ganhou seu primeiro saxofone quando tinha11 anos, então um menino estudioso e obstinado de Detroit. De lápara cá, passou a ter reconhecida desenvoltura em todos os tiposde sax (alto, tenor e barítono) e ainda toca clarineta, oboé eflauta.Começou a despontar tocando sax barítono na LincolnCenter Jazz Orchestra de Wynton Marsalis, com quem gravou, em1994, o disco They Came to Swing (Columbia). Desde então,tocou e gravou com diversos astros. Com o próprio Wynton, gravoua ópera Blood on the Fields (Columbia, 1994). Está ainda nodisco Gershwin´s World, de Herbie Hancock (Verve, 1998).Também participa da gravação de Fat Man and the Hard Blues,de Julius Hemphill (1940-1995).O saxofonista gravou seu primeiro disco, JC on theSet (Columbia), em 1993, tendo como partners o pianista CraigTaborn, o baixista Jaribu Shahid e o baterista Tani Tabbal. Comum repertório ousado (escolheu gravar Hour of Parting, deSun Ra; Lunatic, de um desconhecido compositor texanochamado John Hardee, e algumas coisas de Duke Ellington, comoCaravan e Sophisticated Lady), Carter embeveceu acrítica, que o situou em uma esfera distinta do outro prodígioque surgia na época, Joshua Redman.No ano passado, foi eleito o melhor sax tenor pelarevista especializada Down Beat. Festejava então a boa recepçãoque o lançamento simultâneo de dois discos, pela Atlantic:Chasin´ The Gypsy (tributo de um saxofonista a um mito daguitarra, o belga Django Reinhardt) e Layin´ in the Cut, seuprimeiro registro com uma banda inteiramente eletrificada.Em entrevista, publicada na semana passada, Carter faloude sua maior influência, Lester Bowie (1940-1999), que o fezmudar-se de Detroit para Nova York, e suas motivações musicais,baseadas na tradição da música negra americana. "A cançãogospel americana, por exemplo, não trata só de um universoespiritual, mas é principalmente um rito de relações sociais, deaproximação entre diferentes conceitos de música negra", eleafirmou."O espectro musical ao qual eu me atenho inclui o somtradicional e também a cultura industrial, das grandes cidades", disse o músico, fã do som da época da Motown, de Diana Ross,Supremes e Temptations. "É preciso ver que a música negra daMotown, por exemplo, baseada no soul, no blues e na músicagospel, também foi feita por músicos de jazz", teoriza osaxofonista. "Para mim, nada está separado, onde está umageração está a outra."James Carter Organ Trio. Quarta e quinta, às 22h30. DeR$ 65,00 a R$ 120,00 (couvert artístico). Bourbon Street MusicClub. Rua dos Chanés, 127, Moema, telefone 5561-1643.Patrocínio: Diners Club International.

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