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James Blunt fala ao 'Estado' sobre carreira e shows no Brasil

Cantor britânico que já vendeu mais de 19 milhões de discos se apresenta no País em janeiro

Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo,

29 de dezembro de 2011 | 21h30

Com um cartel de 19 milhões de discos vendidos, o britânico James Blunt abre a temporada de shows internacionais de 2012 no dia 16 de janeiro, em Porto Alegre, no Teatro do Sesi. No dia 18, baixa em São Paulo, no Credicard Hall (vai depois ao Rio, Belo Horizonte e é a estrela do Festival de Verão de Salvador).

Curioso paradoxo vive James Blunt: é talvez um dos astros de maior sucesso planetário dos últimos tempos, mas seu talento como hitmaker é também muito questionado. Sua voz tem um timbre único, mas a crítica (especialmente a conterrânea) torce o nariz para ela. Blunt chega a bordo do disco Some Kind of Trouble, produzido por Steve Robson. O cantor falou ao Estado por telefone, na quarta-feira.

Para alguns artistas, o sucesso pode ser um tanto amargo. Quando você fez You’re Beautiful, por exemplo. Tocou no mundo inteiro, foi campeã de execuções e gerou milhões de fãs, mas também muita gente passou a odiar você e a canção.

Acho que você está errado. É fácil fazer negativos comentários na internet, por causa do anonimato. O número de pessoas rancorosas parece se multiplicar. De fato, há pessoas que odiaram a canção, mas um número infinitamente maior de pessoas a amaram, e a todo tempo me passam uma satisfação enorme. A imprensa britânica tem se portado negativamente em relação a alguns dos meus trabalhos, mas eu sou sempre otimista, nunca me tornarei um cínico. Tenho sempre um sentimento bom, desarmado, não vou entrar nessa de brigar.

Você tem uma mão muito boa para os hits. Quando todo mundo achou que você já tinha esgotado sua cota, você emplacou mais dois sucessos mundiais com esse seu novo disco, as músicas I’ll Be your Man e Stay the Night. É fácil para você compor um sucesso global?

É difícil. Não é mágica. É preciso achar a emoção e o sentimento genuínos em você, primeiramente. Depois, você tem de achar um jeito de comunicar isso. Também não pode se repetir, tem de buscar a evolução. Não é uma fórmula. Acho que o que traduz essa minha facilidade, que você me atribui, é o prazer. Se você não tiver prazer com o que faz, vai ficar em um tipo de garimpagem de negócios. Não pode dar certo.

Você é um fenômeno de vendas no mundo todo. Quase 20 milhões de discos vendidos, seu rosto é conhecido da Tailândia à Terra do Fogo. Qual é agora sua ambição na música? Onde você quer chegar?

Bom, o que posso dizer é que tem sido maravilhoso. Quero ir muito mais longe do que esperava, conhecer novos lugares, ir a um número maior de países, tocar mais, compor mais. Quando isso tudo aconteceu, em 2005, eu não tinha a menor ideia de onde iria chegar. Queria a mesma coisa que quero hoje, fazer minha música e tocá-la. O que ambiciono? Depende de minha próxima experiência.

Você também combateu em guerras, foi soldado britânico. Como vê essa retirada dos Estados Unidos do Iraque? Acha que é um bom sinal para o futuro?

O que acho é que não sou político. Os políticos são confusos. Eu sou mais pela decisão humana. É preciso compartilhar mais os medos e as esperanças. Qualquer religião leva as coisas a um extremo, e esse é um momento de buscar similaridades, pontos de contatos entre as crenças e fortalecer a civilização. Somos fracos quando estamos divididos. É quando nascem os conflitos.

Parece que o britpop vive uma crise atualmente. Houve uma euforia com Oasis e Blur, nos anos 1990, mas agora vive uma entressafra. Você concorda?

Acho que aquele era um tipo de britpop. Há muito tipos diferentes. Nesse momento, temos um tipo de neosoul, com Adele e outras cantoras. A música britânica tem muitas facetas, é muito diversa. O rock pode estar em menos evidência, mas há um grande avanço de novos intérpretes. As coisas vão mudando.

Você já esteve em São Paulo e agora vai para outras quatro cidades do Brasil, é uma turnê longa. Conhece algo sobre essas cidades? Salvador, por exemplo?

Não tenho grande informação, só conheço São Paulo. Para mim, foi uma experiência maravilhosa. Na primeira vez que fui, abri shows para Elton John. Foi muito divertido, mas era algo diferente. O público que estava lá era o público do Elton John, uma figura generosa e um mito da música. Foi uma honra tocar com ele. E o público me recebeu muito bem, de forma aconchegante, fiz shows agradáveis. E então voltamos para tocar para uma pequena plateia, também foi muito receptivo o público daí. Mas agora é diferente, é uma turnê grande, somos seis músicos no palco, grandes amigos meus, grandes músicos. É um show uptempo (de batidas rápidas), e temos vivido e respirado esse concerto durante o último ano.

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