Jamelão chega aos 90 coberto de glória

O cantor Jamelão chega aos 90 anos, completados em 12 de maio, coberto de glória. Mesmo internado em São Paulo, há 20 dias, para tratamento preventivo de diabete, as solicitações para shows e homenagens não param de chegar à Mangueira, escola que ele defende há décadas. "Fica tudo adiado para daqui a um mês, quando ele voltar ao Rio", explica o presidente da verde-e-rosa, Álvaro Caetano, que o visitou no início da semana, para levar-lhe o troféu Rival-BR, pela resistência cultural.Jamelão, ou José Bispo Clementino dos Santos, nascido a 12 de maio de 1913, em São Cristóvão, bairro nobre da zona norte na primeira metade do século passado, tem mesmo uma história marcada pelo exercício da profissão de músico. Criança, foi jornaleiro, mas adolescente estava na Mangueira, com Cartola e Carlos Cachaça, fundadores da escola. Por essa época, dava canja em gafieiras que se espalhavam pela cidade, mas já nos anos 40 era profissional da noite. O sucesso chegaria na década seguinte, no rádio e como crooner da Orquestra Tabajara. Dessa época vieram sambas canções como Folha Morta, Risque , Esses Moços , que se tornaram clássicos ao lado de sambas de carnaval, como Não Põe a Mão, Quem Samba Fica e Exaltação à Mangueira. Aos 90 anos, mantém o vozeirão que inunda os ambientes onde canta, se sobrepondo a qualquer acompanhamento, orquestra, regional, só um violão ou a bateria da Mangueira. Era assim há 60 anos e continua hoje. "Não mudei meu modo de cantar", garante ele. "O que muda é a tecnologia."Avesso a homenagens ("elas não pagam aluguel", reclama), nem quis ser enredo da Mangueira este ano, mas não perde uma festa. E compareceu a todas para comemorar seus 90 anos e os 75 da Mangueira. "Ele é um rebelde, não segue as recomendações médicas e, por isso, de vez em quando, é preciso interná-lo para fazer direitinho o tratamento", comenta Alvinho. "Nessas ocasiões, o levamos para São Paulo. Aqui no Rio ele não pára." O que não quer dizer que Jamelão não se sinta em casa na Paulicéia, muito pelo contrário. Sonha até com um desfile de sua escola em São Paulo. "O problema é que as datas não são boas. O carnaval de São Paulo ocorre na sexta e no sábado e o do Rio, no domingo e segunda", pondera ele. "Mas, quem sabe, se não dava para a gente vir aqui no Sábado de Aleluia? Seria muito bacana desfilar aqui, porque os paulistas sabem apreciar o samba."Leia mais.

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