JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Jaloo mescla tecnobrega do Pará com batidas eletrônicas

Cantor e compositor é uma das atrações do Festival Mix Music

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2016 | 05h00

Um dos nomes mais interessantes da música brasileira nos últimos anos surgiu no Pará, mais especificamente na cidade de Castanhal, na região metropolitana de Belém. Foi lá que Jaime Melo, de 29 anos, conhecido como Jaloo (junção de seu nome e sobrenome), deu seus primeiros passos no mundo da música. “Gostava de karaokê e costumava soltar a voz todas as noites. Cresci ouvindo coisas bregas. Foi um verdadeiro caldeirão de diferentes ritmos”, diz o músico em entrevista ao Estado.

Jaloo, que é uma das principais atrações do Mix Music 2016, festival destinado ao público LGBT, começou a carreira como produtor musical. Ele estourou na internet em meados de 2010, quando produziu versões de hits como I Feel Love, de Donna Summer, Back to Black, de Amy Winehouse, e Baby, canção que ficou famosa na voz de Gal Costa. Ele também produziu um mashup que uniu a rapper brasileira Flora Matos e a cantora inglesa MIA. “Sempre gostei de fazer esses experimentos. No começo, eu era mais produtor e DJ do que compositor. O ato de escrever surgiu com naturalidade. Quando me dei conta, já estava escrevendo e, obviamente, produzindo”, conclui.

Em 2015, Jaloo lançou #1. Versátil, as composições do álbum mesclam elementos do tecnobrega do Pará com fortes batidas eletrônicas. Os ritmos litúrgicos e anacrônicos ditam o ritmo do trabalho de Jaloo. “O processo de produção do disco foi insano. Teve uma parte caseira, que gravei em casa mesmo, embaixo dos cobertores, e outra mais profissional, no estúdio, onde fiz as vozes”, afirma Jaloo.

O estilo inovador de Jaloo já havia ficado explícito em seu primeiro EP, Insight (2014). O trabalho faz referência à bass music, carrega pinceladas de R&B, uma boa dose de brega e uma tonelada de sintetizadores. “Minha sonoridade era classificada como world music, mas nunca deixei de lado as minhas referências regionais. Elas são determinantes para o meu trabalho. Fazer música é uma evolução constante. Não tem uma fórmula. Sempre há coisas para inserir”, afirma Jaloo.

Ouvir as faixas de #1, que completou 1 ano no último mês de outubro, significa se surpreender com cada estrofe do caleidoscópio sonoro. Insight, regravada por Luiza Possi no disco Eu Sou Assim (2016), é a canção mais pop do disco. Com rimas fáceis e simplórias, a canção gruda na cabeça. “Ela simplesmente saiu. Não tive muito trabalho para estruturá-la. Sabe quando uma coisa simplesmente vem à tona e você não tem ideia de como isso aconteceu? Pois é, foi o caso de Insight. É muito louco porque eu não tinha tanta experiência assim em compor. Das 12 faixas de #1, seis foram escritas por mim.”

Evolução. Na estrada fazendo shows há pouco mais de 3 anos, Jaloo passa por um processo de amadurecimento artístico. O paraense, que não gosta muito de entrar na discussão sobre gêneros (coisa batida, diz ele), administra todos os detalhes de suas performances ao vivo. Das luzes, passando pela figurino, chegando à parte de instrumentalização, ele é responsável por tudo. “Dá dor de cabeça, pois preciso pensar o projeto completo. Mal consigo dormir. Às vezes, acordo resolvendo pendências, mas acho isso legal. A parte de figurinos é fundamental dentro do meu conceito performático. Costumo caprichar em cada detalhe. Fui ganhando bagagem com as apresentações e hoje em dia estou mais seguro e preparado para encarar um bom público. No começo, ficava claramente perdido. O tempo, entretanto, foi me ajudando em várias coisas”, afirma.

Jaloo não se veste dentro dos padrões estabelecidos para homens ou mulheres. O cantor e compositor usa saias, maquiagem e qualquer outra peça da expressão da moda masculina ou feminina.

Ao conversar com a reportagem, na 32.ª Bienal de Artes, no Ibirapuera, Jaloo foi abordado várias vezes para tirar fotos com alguns fãs. “Sei que meu visual é diferente. Chama mesmo atenção. Como disse anteriormente, isso está inserido dentro do meu conceito artístico. Acho válido, pois musica e estética, para mim, andam lado a lado. Não consigo vê-las como coisas separadas e conflitantes, sabe?”

Programação do festival é voltada ao público LGBT 

Jaloo, As Bahias e a Cozinha Mineira e Daniel Peixoto são as principais atrações do Mix Music 2016, primeiro festival de música voltado para o público LGBT no Brasil, que existe desde 2000, organizado e criado pelo produtor e ativista Andre Pomba. Também estão abertas inscrições para novos cantores, drag queens e coreógrafos. O evento será realizado de 11 a 15 de novembro, no Centro Cultural São Paulo, que fica na Rua Vergueiro. As entradas para todas as atrações são gratuitas. Os ingressos serão distribuídos pela organização do festival sempre uma hora antes do início de cada performance. Eles devem ser retirados nas bilheterias.

FESTIVAL MIX MUSIC 2016

Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3397-4002. De 6ª (hoje) a 3ª (15). Show de   Jaloo (hoje, às 18h30). Grátis.

 

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