FELIPE RAU/ESTADÃO
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Jake Bugg volta ao Brasil mais maduro e mais despreocupado

Em entrevista ao Estado, cantor britânico, que se apresenta em São Paulo nesta quinta-feira, 9, diz ter ignorado o estigma de "novo Bob Dylan": "eu realmente não me importo com o que me chamam".

Entrevista com

Jake Bugg

Pedro Rocha - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

09 Março 2017 | 17h39

Nesta quinta-feira, 9, o cantor britânico Jake Bugg, de apenas 22 anos, se apresenta pela terceira vez no Brasil - terceira também em São Paulo. O músico retorna ao País depois de duas passagens em 2014, uma no Lollapalooza e outra em turnê, e conversou com o Estado poucas horas antes do novo show por aqui. 

"Eu nunca sei o que esperar do Brasil, mas sei que vamos nos divertir bastante hoje à noite em São Paulo", brinca o cantor no papo por telefone. Ele pode não saber o que esperar, mas os fãs certamente devem ouvir músicas do mais recente álbum de Bugg, On My One, lançado em junho do ano passado. 

Geralmente fechado e sisudo, o cantor brinca quando questionado se amadureceu desde a última visita ao País. "Eu não sei, ainda bebo tanto quanto antes", conta rindo. "Eu gosto de pensar que à medida que a vida passa você tem experiências que te ajudam a crescer."

Jake já não se importa mais em ser comparado com Noel Gallagher, Justin Bieber, ou de ser chamado de "o novo Bob Dylan", cantor que ele já disse não ter influenciado o seu trabalho. "Eu realmente não me importo muito com o que me chamam", fala. "Eu não ligo muito para o que as pessoas dizem ou pensam sobre a minha música. Eu componho para mim e é isso que importa." 

Não é só Bugg que está mais maduro, seu trabalho também. O próprio cantor admite. "Talvez não muito do ponto de vista da produção, mas o álbum é mais maduro em sua composição."

A maturidade do On My One, de acordo com o próprio cantor, vem da inspiração para a composição. "Foi uma oportunidade de refletir sobre a minha vida e colocar isso nas canções", diz. Segundo Jake, isso não havia acontecido nos dois primeiros álbuns. "Falam de experiências que dividi com outras pessoas."

Na música que dá título ao álbum, Bugg canta sobre estar cansado dos seus três anos na estrada, mas ele não pretende parar. "Eu gosto de estar na estrada, mas eu também gosto de compor e estar no estúdio, então este ano está sendo ótimo, porque eu estou em turnê, mas não por muito tempo, eu posso trabalhar em novas músicas também", revela o cantor, que pretende lançar mais um álbum ainda em 2017. 

Jake Bugg acumula boas experiências de suas visitas ao Brasil. Em 2014, ele esteve na favela de Heliópolis, em São Paulo, e conheceu um projeto da ActionAid que leva educação, música e esporte para crianças da comunidade, evitando o envolvimento com drogas e criminalidade. 

"Foi algo que não dá para esquecer", declara o jovem. "O que foi inspirador para mim foi ver como as pessoas vivem sem ter muito, como elas cuidam das suas crianças."

Algumas crianças de Heliópolis, aliás, verão o show de Jake Bugg em São Paulo e irão encontrar o cantor nos bastidores. "É bom manter contato com eles porque eu espero ter uma oportunidade no futuro de voltar lá, porque foi uma experiência muito boa", conta.

Além de São Paulo, onde toca no Citibank Hall a partir das 21h30, a nova turnê pelo País terá paradas ainda no Rio de Janeiro na sexta-feira, 10, no Circo Voador, e em Belo Horizonte no sábado, 11, no Music Hall.  

Antes de todos esses shows, porém, Jake fez questão de fazer um concerto fechado em prol de um outro projeto social, o Paralise o Guillain-Barré, criado após a morte da produtora brasileira Bianca Freitas, que foi vítima da Síndrome Guillain-Barré, doença autoimune grave que afeta o sistema nervoso e pode estar associada ao Zika Vírus. "A minha amiga Bianca teve a doença e faleceu. Ela era muito boa para mim, então eu fiquei feliz de estar envolvido no projeto do jeito que eu pude", conta. 

Serviço:

Show - Jake Bugg 

Quinta-feira, 9, às 21h30

Citibank Hall SP – Av. das Nações Unidas, 17955 – Santo Amaro, São Paulo/SP. Tel.: (11) 2846-6040

Ingressos de R$ 100 a R$ 400. Mais informações no site do evento.

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