Jair Rodrigues lança o álbum "Alma Negra"

Alma Negra, novo álbum de Jair Rodrigues, chega às lojas nesta semana. Para gravar o disco, em que impera o samba, Jair procurou dar preferência a músicas inéditas. É o diferencial que costuma dar aos discos que chama "de carreira" - os demais, como por exemplo, as coletâneas, são "projetos especiais". "Por isso, fui checar com os amigos se as músicas ainda continuavam inéditas. Liguei pro Martinho (da Vila) e perguntei: ´Martinho, Foi maldade/ O que aquela mulher fez comigo continua inédita?´", relata, no seu jeito adorável de contar cantando. Martinho respondeu que sim, Fogo na Venta ainda estava inédita.Apesar de ter o samba como fio condutor, Alma Negra, o 44º disco da carreira de Jair vai ao jongo, à seresta e flerta até com guitarra elétrica. Coisa de intérprete. Mais ainda, coisa de crooner, que canta o que vier pela frente. Em todas as terças-feiras deste mês, aliás, Jair volta à boemia e se apresenta no Bar Brahma (Av. Av. São João, 667, centro, tel. 3333-0855), a partir das 22h30. Em entrevista ao Estado, Jair fala sobre o álbum em primeira mão. "Em cima do palco eu me sinto o homem mais feliz do mundo."Sua idéia era mesmo fazer de Alma Negra um disco de samba? A maioria das músicas é samba. Mas a própria Alma Negra não é um samba, exatamente. É um axé, misturado com Olodum, com pagode, tambores, um quê de viola. Fiz uma mistura de África e Brasil. Já Terra Seca, do Ary Barroso, por exemplo, parece samba, mas está mais para jongo. Adeus Tristeza, que abre o disco, é um samba lascado.Ultimamente você anda muito acompanhado da garotada, não é mesmo? Sabe que tem uma razão de ser? Aonde eu vou, a moçadinha vem pra mim e faz Deixa que digam/ que pensem/ que falem. O Hebert Vianna me veio com a história de que eu sou o pai do rap. Aqui em casa, o Jairzinho e a Luciana me contam que nos shows deles sempre pedem para eles cantarem as minhas músicas, as mais funk. Daí, quando assinei contrato com a Trama, em 1999, gravei um disco ao vivo com produção do Jairzinho.Essa proximidade com o rap trouxe frescor à sua carreira? Sim. Noto que Tim Maia, Benjor, Wilson Simonal e Jair Rodrigues não serão esquecidos jamais pela nova geração. Nós fizemos uma coisa muito bacana, a base da música negra brasileira. Você abre o disco com um pot-pourri, que é constante na sua carreira. Por que você gosta tanto de medley? Ah, faz um bem... Sempre gravei e sempre cantei, mesmo quando era crooner. Escolhia dez sucessos para cantar de uma vez, de cara. Notava que aquilo era um arrepio total. Trouxe mesmo isso da noite. Tanto é que quando gravei o primeiro disco com a Elis, o Dois na Bossa (1965), o que fez sucesso foi aquele medley que tinha O Morro não Tem Vez.

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