Jackson ofereceu casa a acusador, diz padrasto

O padrasto do menino que acusa Michael Jackson de abuso sexual testemunhou hoje que, depois da exibição do documentário Vivendo Com Michael Jackson, um sócio do astro pop ofereceu à família uma casa e o custeio da educação universitária do garoto.Mas o padrasto também disse que, quando pediu dinheiro em nome da família, esse mesmo sócio acusou-o de tentativa de extorsão. O padrasto subiu ao banco das testemunhas depois que a acusação parou de chamar testemunhas de casos anteriores para se concentrar em pessoas ligadas ao caso atual, em que Jackson é acusado de abusar sexualmente de um menino de 13 anos em 2003. No documentário, exibido em 6 de fevereiro de 2003, o cantor aparece de mãos dadas com o menino que o acusa atualmente e diz que gosta de dividir a cama com crianças. Parte do testemunho do padrasto se referiu ao período que foi até 19 e 20 de fevereiro de 2003, quando o menino, seu irmão, sua irmã e a mãe deles participaram de um vídeo produzido para reconstruir a imagem de Jackson.O padrasto declarou que começou a perguntar a um sócio de Jackson, Frank Tyson, que compensação monetária sua família receberia por sua participação no vídeo favorável a Jackson. Tyson foi indiciado pela acusação por ter conspirado com Jackson para manter a família presa no rancho do astro, Neverland."Eu perguntei-lhe: ´O que ele oferece a esta família para fazer isso?´", disse o padrasto, acrescentando que Tyson respondeu-lhe: "Oferecemos proteção". O padrasto continuou: "Eu lhe disse: ´Frank, essa família não precisa de proteção. De quem vão nos proteger?´". Ele disse que nunca recebeu uma resposta para esta pergunta.Segundo ele, Tyson disse que "ofereceria educação universitária e uma casa". O padrasto disse que a família não precisava de uma casa, nem de educação universitária e perguntou-lhe: "O que oferece em termos monetários?". Neste momento, segundo a testemunha, Tyson disse: "Está tentando nos extorquir?"O padrasto disse que não tinha idéia que pudesse haver algum tipo de informação que pudesse ser utilizada para una tentativa de extorsão. Ele também disse que nunca recebeu nenhum dinheiro de Jackson. A promotoria disse ontem que convocará em breve a mãe do acusador.O padastro descreveu uma série de telefonemas que recebeu da mãe dos meninos, de Neverland, em que ela parecia "confusa e irritada". "Ela disse que não podia ver as crianças, que quando ela saía de Neverland tinha uma escolta", ele disse. A testemunha disse que quando voltou ao rancho, percebeu uma mudança no menino. Quando a promotoria pediu que ele descrevesse a mudança, ele disse que o garoto "havia se tornado mau. Ele estava usando palavrões. Ele nunca tinha feito isso antes". Ele também disse que o garoto estava "agindo me maneira rude". Durante o interrogatório pela defesa do cantor, o advogado de Jackson, Thomas Mesereau Jr., ressaltou os problemas disciplinares que o acusador tinha na escola, e então fez os jurados ouvirem uma fita gravada em 16 de fevereiro de 2003, em que a mãe do acusador exalta Jackson, dizendo que ele é "como um pai... carinhoso, com amor incondicional". Enquanto a fita foi tocada, por vinte minutos, o padrasto se mexia na cadeira, ocasionalmente fechando os olhos e sacudindo a cabeça. A acusação disse ontem que pretende, em breve, chamar a mãe do acusador para depôr.

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