Ivan Lins encerra jejum e lança 25º álbum

Ivan Lins passou cinco anos sem fazer um disco com músicas inéditas. O último assim é de 1995, o lindo Anjo de Mim. De lá para cá, Ivan gravou ao vivo com os cubanos do Irakere mais Chucho Valdés; organizou um importantíssimo songbook (em três volumes) de Noel Rosa; fez mais um disco ao vivo, gravado nos Estados Unidos, e montou uma antologia de canções de Natal; além disso, compôs a trilha sonora do filme Dois Córregos (a canção título está concorrendo ao Grammy latino, categoria música instrumental).Não havia parado de compor, mas diminuído o ritmo. Acontece que, no início da década, Ivan resolveu criar (com o parceiro Vítor Martins) uma gravadora alternativa, não-comercial, a Velas, que desse voz aos jovens (e outros nem tanto) artistas sem espaço na grande indústria (Chico César, Marcos Suzano, Lenine, Edu Lobo e Rosa Passos foram alguns deles).Só que, para manter a Velas, Ivan desviava para a empresa todo o seu ganho com direitos autorais e, para sobreviver, passou a fazer muitos shows. Ficou com pouco tempo para o que mais gosta - ficar em casa, compondo. No ano passado, afastou-se da Velas e assinou contrato com a Abril Music. E é por essa gravadora que sai, esta semana, o novo disco - o 25.° - do cantor e compositor, A Cor do Pôr-do-Sol.A faixa que dá título ao disco é uma das quatro parcerias de Ivan e Celso Viáfora incluídas no repertório. O compositor apresenta, aqui, parceiros novos - para ele, novos, como Dudu Falcão, Totonho Villeroy, Cláudio Jorge ou Caetano Veloso. Há uma outra parceira nova - a poetisa goiana Lêda Selma que lidera um grupo de - digamos - poetas-ativistas de sua cidade: eles grafitam muros e paredes com poesia, poesia, poesia. Lêda publicou um livro. Procurou Ivan, quando o músico foi fazer show em Goiânia, deu-lhe um exemplar, com autógrafo e telefone. De volta a casa, Ivan encantou-se com o poema Voa, e o musicou: "Se teu sonho for maior que ti/ Alonga tuas asas/ Esgarça os teus medos/ Amplia o teu mundo/ Dimensiona o infinito/ E parte em busca da estrela."É uma canção de amor com a marca de Ivan - aquele misto raro de sofisticação e simplicidade - e que recebeu arranjo de cordas de Wagner Tiso. Tem cara de sucesso (houve uma época em que as trilhas sonoras das novelas eram melhores do que as de hoje; naquele tempo, nos anos 70 e 80, quase todo ano Ivan emplacava uma canção na abertura de um dos folhetins). E só questão de tocar, deixar que se ouça.No mundo, Ivan Lins toca muito. É um dos artistas brasileiros mais respeitados e gravados, principalmente pelos jazzistas: Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Carmen McRae, The Manhattan Transfeer, George Benson, Barbra Straisand, Terence Blanchard são alguns dos que registraram suas composições. Quincy Jones, que assumiu para a si a tarefa de mostrar Ivan para o mundo, considera-o um dos maiores melodistas da música do século.Agora, uma gravadora especializada em jazz e música instrumental está preparando um tributo a Ivan, que reúne nomes do pop e do jazz, como Sting e Dianne Reeves, Grover Washington Jr. e Chaka Kan."Ivan Lins é patrimônio nacional. Se fosse inglês, já seria sir Áivan, por aí. A globalização só é verdadeira na música de Ivan", escreveu Aldir Blanc no texto de apresentação do disco. Ivan, por seu turno, está cheio de planos. "Preciso fazer um disco com a Nana Caymmi, é imperioso", diz. "E um com a Leila Pinheiro, nós dois aos pianos", avisa. Além disso, quer juntar-se num projeto aos novos - Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha, Cláudio Lins, seu filho, Simone Guimarães. Pretende para comemorar os 30 anos de carreira, que se completam no ano que vem, fazer um disco ao vivo, com orquestra de cordas, um outro só de sambas, com músicos de samba, sabe lá quantos convidados especiais.Para lançar A Cor do Pôr-do-Sol, Ivan estréia show em Belo Horizonte, no dia 22. De lá, ele vai para o Canecão, no Rio; interrompe a turnê para uma série de shows especiais, nos Estados Unidos, com Ed Motta e Leila Pinheiro; chega, finalmente a São Paulo, no dia 9 de novembro.No novo disco, Ivan Lins grava duas músicas que não são suas: Lua de São Jorge, de Caetano Veloso, que adora e já vinha cantando nos shows, e Mulher, Eu Sei, de Chico César, canção do primeiro disco do compositor paraibano, lançado - claro - pela Velas. E, enquanto não decide qual dos novos projetos abraçará primeiro, continua compondo - há outros novos parceiros - , sem parar e - ouçam A Cor do Pôr-do-Sol - cada vez melhor.

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