Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

'Isso tudo vai passar', garante Nelson Sargento, cantor e compositor da Mangueira

Presente no carnaval carioca desde 1948, o baluarte e presidente de honra da escola vai ficar em casa no feriado 

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2021 | 05h00

Muito antes de haver o Sambódromo do Rio, inaugurado em 1984, Nelson Sargento já desfilava. Presente no carnaval carioca desde 1948, o baluarte da Mangueira passará o período carnavalesco deste ano em casa. 

O consolo para o cantor e compositor de 96 anos é já ter sido vacinado contra a doença que cancelou a festa popular depois de mais de 100 anos ininterruptos. 

Ele aguarda, agora, a celebração do ano que vem, quando espera estar na Sapucaí para homenagear Cartola, Jamelão e Delegado, três ícones da história verde e rosa que serão tema do enredo.

"Enquanto eu viver, vou desfilar", afirma Seu Nelson ao Estadão, na sala do apartamento em que mora no bairro de Copacabana, zona sul da cidade. 

Vestindo a camisa de baluarte e com máscara da Mangueira, o presidente de honra da escola terá que se contentar, neste feriado, com a reprise do desfile de 2016, escolhido pela Rede Globo como o representante da Verde e Rosa na programação especial. Naquele ano, a homenagem foi à cantora Maria Bethânia, que rendeu o título à escola. “Foi um samba muito bom”, recorda Nelson. 

No violão, o compositor arranha algumas notas e tenta tocar a mesma música que cantarolou quando foi vacinado, no mês passado: a simbólica Agoniza Mas Não Morre, cuja letra retrata a resistência histórica do samba.

"Isso tudo vai passar. Tem que passar", diz Nelson, que se emocionou quando recebeu a vacina. "Levantei a manga da camisa, a moça fez o trabalho dela. Eu fui ao céu e voltei."

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