Alex Silva|Estadão
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Isabella Taviani expõe ligação afetiva com canções dos Carpenters

Cantora faz show em SP com repertório da dupla

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2016 | 04h00

We’ve Only Just Begun começa a tocar. É a primeira faixa do belo disco Carpenters Avenue, que a cantora Isabella Taviani acaba de lançar, só com músicas do repertório da célebre dupla de irmãos Karen e Richard Carpenter, que fez grande sucesso entre os anos 1970 e 80. No início desse clássico (tirado do álbum Close to You, de 1970), a voz se insinua como sendo a da própria Karen, mas, com uma atenção mais apurada, percebe-se ali a interpretação de Isabella. Essa nuance que a cantora brasileira traz é, ao mesmo tempo, intrigante e lisonjeira. Isabella não queria ‘imitar’ sua grande referência como cantora, mas também não desejava se distanciar muito dela. 

“As pessoas estão acostumadas a ouvir aquelas músicas com aquele timbre, com aquela doçura. Você não pode sair metendo o pé na porta. Em primeiro lugar, tem de respeitar como aquela canção veio ao mundo, na voz de Karen Carpenter”, diz Isabella, ao Estado. “Me doutrinei ao ocupar esse espaço: não perder muito a minha identidade, mas também estar sempre muito fiel ao original. Os poucos passos que dei fora das linhas melódicas foram totalmente previstos.”

É com esse repertório emblemático de Carpenters, que inclui ainda canções como (They Long To Be) Close To You, Only Yesterday, Please Mr. Postman e Solitaire - boa parte delas, aliás, pinçadas do disco Horizon, de 1975, o favorito de Isabella - que a cantora faz também show em São Paulo, neste sábado, 30, no Tom Brasil. 

A obra dos Carpenters, a exemplo de outros artistas, é praticamente um solo sagrado. Mas Isabella tem todas as credenciais - e literalmente carteirinha de fã até hoje - para adentrar nesse terreno. Tudo remete às suas memórias afetivas. Ela lembra que, quando criança, sua voz trazia uma tessitura muito grave, e isso a desagradava. A mãe tentava lhe mostrar um outro ponto de vista daquilo que a menina considerava diferente. “Ela falava para mim: você tem uma voz muito rara, há cantoras que têm esse timbre. Aí me apaixonei pela voz da Karen mais ainda. A gente passava perto da tessitura vocal mais grave, mais encorpada. Então, fui consumindo tudo que eu via pela frente de Carpenters.” 

Isabella descobriu a dupla nos discos que tocavam na vitrola da prima. “Eu tinha mais ou menos 7 anos, sei a idade porque, em 75, foi lançado Horizon, que tinha Only Yesterday, Please Mr. Postman, canções que eu gostava muito. Minha prima era mais velha, adorava os Carpenters e tinha esse vinil. Víamos o encarte do LP e decorávamos a letra em inglês. Ela fazia o Richard Carpenter e eu, a Karen. Começou daí esse amor pelos dois.” 

Aos 14 anos, o mundo de Isabella caiu quando soube da morte de Karen, em 1983, em decorrência de complicações relacionadas à anorexia nervosa. Após receber a notícia, ela espalhava os discos na cama e se jogava sobre eles, inconsolável. “Para mim, foi uma catástrofe”, recorda-se. 

Na adolescência, Isabella teve um afastamento da obra deles, em busca de novos sons, “de tocar violão, de buscar mais a identidade vocal”. Típico da idade. Aos 30, veio o reencontro. “Voltei a ouvir Carpenters loucamente. Depois, veio a ideia do disco.”

O projeto nasceu em 2010, mas o processo de gravação só começou em 2014, dividido entre Brasil e EUA. Com uma ajudinha do universo carpenteriano conspirando a favor. Isabella chamou a diva Dionne Warwick, que foi a melhor amiga da Karen, para cantar no disco. E ela aceitou. Dionne gravou não só na faixa (They Long To Be) Close To You, como também estará no show de Isabella hoje em São Paulo. 

Henry Mancini, que compôs para os Carpenters, por acaso, entrou no projeto. Tudo começa com Isabella mixando o disco no estúdio da filha dele, Monica Mancini. A própria Monica se encantou pelo projeto e pediu para entrar nele. Uma participação apropriada em Sometimes, música de seu pai, Henry, e sua irmã, Felice. “Na hora da almoço, a Monica disse: ‘Recebi o e-mail da cantora que fazia a demo do meu pai e ela me mandou exatamente o piano da música que ele gravou para mandar para os Carpenters’. Ela me deu e era no mesmo tom que a gente tinha gravado. Tenho um piano inédito do Henry Mancini no meu disco. E Monica não falava com essa cantora há um tempão. Por que ela foi mandar essa música? Ninguém sabe.”

ISABELLA TAVIANI

Tom Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio. Hoje (30), às 22h. R$ 120/R$ 240. 

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