JF Diório/AE
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Iron Maiden transforma Morumbi em templo de devoção ao heavy metal

Mais de 50 mil fãs da tradicional banda britânica fizeram barulho e cantaram os clássicos do rock

Marcelo Moreira, do Jornal da Tarde ,

27 Março 2011 | 06h28

SÃO PAULO - A celebração foi completa. Cerca de 55 mil fãs do Iron Maiden que lotaram o Estádio do Morumbi na noite de sábado, 26, cumpriram a promessa de transformar a casa do futebol em um gigantesco templo do barulho e de devoção ao Heavy Metal. E o sexteto britânico cumpriu o que tinha prometido - como sempre: música de qualidade, de alto nível e muitos hits de uma carreira de 35 anos.

Nada diferente do que ocorreu nas oito vezes anteriores em que tocou no Brasil e em São Paulo - esta foi a terceira passagem por aqui desde 2008.

Os shows da banda seguem sempre o mesmo roteiro que as apresentações de artistas cultuados como AC/DC e Motorhead: muitos hits, qualidade de performance impecável e total devoção do público sem que algo de novo e bombástico ocorra. E, como sempre ocorre, o resultado é sempre o mesmo da turnê anterior: um evento impecável e estupendo.

O Iron Maiden já enfrenta há algum tempo um problema característico de gigantes do rock que ultrapassam 30 anos de carreira: mesmo que consiga atrair público jovem - a maioria dos presentes nem era nascida quando a banda surgiu - acaba refém dos grandes sucessos. Tem banda que não se importa com isso, e o Iron Maiden é uma delas.  

A inclusão de quatro músicas do último CD, “The Final Frontier”, entre as cinco primeiras da apresentação que começou às 21h, fez muita gente torcer o nariz e até mesmo a “protestar” contra a suposta falta de hits.

E quem protestou foi um quarentão ou cinquentão que comprava LPs na Galeria do Rock nos anos 80? Não, foram adolescentes e jovens que mal sabiam o nome do último trabalho do grupo e que provavelmente só consegue lembrar de cinco ou seis músicas de 30 anos atrás.

É inaceitável que em tempos de internet e comunicação online esses “fãs” (que não eram poucos a ter esse comportamento abjeto) não tenham tido ao menos a curiosidade de saber a lista de músicas dos shows da atual turnê.

Ou seja, já se sabia o que iria acontecer e quais músicas iriam tocar, e mesmo assim tem gente que pede “Number of the Beast” desde os primeiros acordes da abertura do espetáculo.

Como não poderia deixar de ser quando se trata de uma banda do porte do Iron Maiden, o novo trabalho foi valorizado com “Satellite 15”, a primeira música, pesada e progressiva na dose certa, e logo seguida por “El Dorado”, mais progressiva ainda e com elementos melódicos que destoam do que normalmente a banda compõe.

O estranhamento passou quando a terceira música finalmente agitou todo mundo, a clássica “2 Minutes to Midnight”. “The Talisman” e “Coming Home” (esta última maravilhosamente executada) vieram em seguida para reforçar a ideia de valorizar o CD mais recente.

“Dance of Death”, faixa-título do CD incompreendido e criticado de 2004, assim como a apoteótica “Blood Brothers”, do álbum “Brave New World”, seguiram na linha de exaltar a produção da década passada - essa última foi dedicada às vítimas do terremoto que atingiu o Japão e aos mortos nas revoltas que sacodem os países árabes da África e do Oriente Médio. 

Mesmo com o nariz torcido e com certa frieza nas músicas mais recentes, até que houve uma recepção aceitável para as músicas mais novas. Dado o recado de que ainda é uma banda relevante criativamente, o sexteto deu ao público o filé tanto almejado na meta de final do show.

O hino “The Trooper” começou o massacre e estremeceu o Morumbi. Sem tempo para respirar emendaram a correta e rápida “The Wicker Man”. Para redimir a noite dos radicais e menos interessados nos trabalhos ótimos deste século, vieram as pauladas “The Evil Men That Do”, “Fear of the Dark” e “Iron Maiden”.

A parada obrigatória para a chatice do pequeno intervalo para o bis deixou o público mais elétrico e mais raivoso - afinal, seria ofensa das ofensas não tocar “The Number of the Beast”. E ela veio no encerramento, acompanhada pela obra-prima “Hallowed by Thy Name” e por outro hino, “Running Free”.

O Iron Maiden, é óbvio, não precisa de redenção, mas os mais reticentes acabaram redimidos e de alma lavada com o que consideraram “o verdadeiro Maiden” com a execução dos clássicos ao final do show.

O saldo do show: sem grandes novidades ou arroubos, o sexteto inglês mostrou a qualidade e a competência de sempre. E foi maravilhoso como sempre.

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