Iron Maiden revisita repertório de clássicos em show em SP

Repertório da apresentação no Palmeiras contou com 'Aces High', 'The Number of the Beast' e 'Wasted Years'

Daniel Lima, do estadao.com.br,

03 de março de 2008 | 13h18

Bruce Dickinson, o lendário vocalista, já não arrisca alguns agudos que antes sobravam nos pulmões. A platéia, entusiasmada, toma para si a tarefa, sem sucesso - o padrão é alto demais até para fãs de primeira hora. É a equação da nostalgia: público e artista tentando recriar uma época que terminou. Mas no caso específico do Iron Maiden, que revisitou seus clássicos dos anos 1980 em show no Palestra Itália, neste domingo, 2, em São Paulo, a viagem no tempo parece mais fruto de um bem-vindo populismo do que de crise ou desgaste. A intenção, desde as primeiras notas da apresentação, é clara: agradar aos fãs.   Teste seus conhecimentos sobre o Iron Maiden     No Palestra Itália lotado, as cerca de 40 mil pessoas reagem a cada pista sonora, a cada mudança de cenário. Caminham em terreno conhecido: certamente havia poucos ali que se surpreenderam com o discurso de Winston Churchill ecoando nas caixas de som antes de Aces High, primeira música da noite, ou de sua seqüência, 2 Minutes to Midnight. Trata-se da exata abertura do álbum ao vivo Live After Death, de 1985, replicada em minúcias ao vivo, mais de 20 anos depois. Por mais que o show ganhe ares de relíquia arqueológica em movimento, o repertório e a performance da banda sobressaem.   O mais notável desse Iron Maiden nostálgico é a firmeza. Se nos álbuns recentes, como Brave New World e Dance of Death, a banda soa mais progressiva e sutil na parte instrumental, as músicas dos anos 1980 são musculares e diretas, cheias de riffs impossivelmente velozes e melodias precisas. Rime of the Ancient Mariner, canção de 13 minutos baseada no poema homônimo do inglês Samuel Taylor Coleridge, ganhou uma das melhores performances da noite, com direito a isqueiros acesos na platéia no interlúdio instrumental sombrio em seu miolo. Presente para fãs ardorosos, tipo que não faltava no estádio.   Engarrafamento de clássicos   Com o entusiasmo habitual, Bruce Dickinson deslizava de um lado para outro no palco molhado pela breve e intensa chuva que caiu no local minutos antes do início da apresentação. O guitarrista Janick Gers se divertiu girando repetidamente o instrumento em torno do pescoço e atirando-o para cima. São, como todos os outros integrantes, performers experientes. O suficiente para escolherem um repertório irrepreensível, praticamente à prova de contestação em qualquer roda de amigos vestidos de preto.   De The Trooper e The Number of the Beast a Wasted Years e Heaven Can Wait, a seqüência de clássicos não deu trégua. Houve até espaço para Fear of the Dark, de 1992, única canção que destoa da safra vintage pinçada no setlist. Não exatamente uma surpresa, no entanto, algo que só viria no bis: a pérola Moonchild, do álbum Seventh Son of a Seventh Son - para muitos o último grande disco da banda, lançado em 1988 -, faixa pouco executada ao vivo. A julgar pela recepção, um clássico em processo de validação popular. Afinal, não são as bandas que criam os clássicos, mas sim o público, que os elege.   Antes de partir, Dickinson promete um retorno em breve, com o show completo: luzes, mascotes animatrônicos gigantes, explosões e tudo mais. A notícia é aplaudida. Para os fãs brasileiros, é o Iron Maiden que se tornou clássico. E clássicos merecem visitas a qualquer hora, não importa sua época de origem.

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