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Iron Maiden lança novo disco e chega ao topo das paradas britânicas

Gravado em estúdio, 'The Book of Souls' é o décimo sexto álbum

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2015 | 04h00

Eddie, mascote do Iron Maiden, sorri malevolamente na capa do mais novo disco da banda inglesa, The Book of Souls, lançado há pouco no Brasil. O personagem, que já deu as caras como deus egípcio e soldado da Guerra Civil norte-americana, exibe pinturas pelo corpo e faz referência à cultura indígena sul-americana ao assumir a figura de uma espécie de ceifador maia. A morte está próxima e Eddie se diverte com isso. Conceitos de alma e o que há do outro lado do ciclo da vida estão por todo o lado do mais novo álbum da lendária banda de heavy metal e são mais palpáveis do que qualquer fã poderia imaginar um ano atrás.

Bruce Dickinson, vocalista da banda em dois períodos distintos (de 1981 a 1993 e 1999 até atualmente), esteve perto da morte. Lutou contra um câncer desde dezembro do ano passado, quando um exame de rotina apontou tumores no gânglio linfático e outro na língua. Embora o músico tenha se curado completamente, como ele revelou em maio, a saúde da voz do grupo ainda gera cuidados, como a realização de novos exames mensalmente. Curiosamente – ou para trazer mais mística à ideia do ceifador de The Book of Souls –, o disco foi gravado antes mesmo que Dickinson descobrisse e tratasse a doença. 

Lançado há duas semanas no resto do mundo, o álbum foi capazde colocar o heavy metal novamente no topo das paradas britânicas, ao vender 60 mil cópias. É a segunda vez na carreira quarentona do grupo que eles atingem o posto. Feito também foi alcançado com The Final Frontier, álbum antecessor de The Book of Souls, de 2010. 

Não há comparações entre os dois discos, contudo. The Books of Souls é o retorno da Donzela de Ferro, como o Maiden é carinhosamente chamado pelos fãs, ao seu melhor. O novo álbum, 16º capítulo de discografia invejável e duradoura, é o mais longo já lançado, com 92 minutos e 11 segundos. É também o primeiro disco duplo de Dickinson e companhia. 

Tudo no estúdio. Em Manchester, na Inglaterra, durante uma passagem de som, Steve Harris, baixista e líder da banda desde a sua fundação, na metade da década de 1970, contou ao Estado que a ideia nunca foi fazer um álbum duplo, com canções como Empire of the Clouds, faixa escolhida para encerrar o trabalho, com impressionantes 18 minutos de duração, a mais longa da carreira do grupo. “Não havia motivo para fazermos um disco duplo”, confessa. “Acho que as canções são mais extensas, mesmo. Nunca achei que chegaríamos a fazer um disco duplo. Mas acho que a ideia de se fazer algo assim, agora, é interessante. Não é possível ouvir o álbum como algo casual.”

Autor de sete das 11 canções do disco, Harris explica que a banda entrou no estúdio ainda sem que as composições estivessem prontas. “É assim que gostamos de trabalhar.” Kevin Shirley, conhecido como Caveman, e o baixista assinam a produção do álbum. “Foi um processo bem natural de composição. As músicas acabaram se tornando longas demais, mas não nos forçamos a isso. Não analisamos demais o que aconteceu. Apenas gravamos.” 

Na indústria fonográfica do século 21, na qual os discos são deixados em segundo plano e o privilégio é dado aos singles e à mídia digital, do streaming e do download, colocar nas prateleiras um álbum duplo, com mais de uma hora e meia de som, é um passo ousado para qualquer banda. Harris, contudo, garante que os fãs do Maiden não se contentam apenas a ouvir material antigo e, por isso, uma nova leva de canções se fazia tão importante. “Nunca nos importamos em como o disco será recebido pela indústria. Sei que algumas pessoas gostam de ouvir uma ou duas músicas de um disco. Mas estamos falando de um trabalho do Maiden e vai precisar de mais tempo para ouvi-lo. Os nossos do Maiden não julgam o disco dessa forma. Isso é bom”, explica. 

A forma de pensar é oposta ao que tem dito recentemente Joe Perry, roqueiro contemporâneo da Harris, guitarrista do Aerosmith, que questiona a validade de bandas tão duradouras como a dele (e o Maiden) ainda lançarem discos novos se os fãs querem os clássicos. “Concordo que as vendas já não são as mesmas”, disse. “Mas nunca nos apoiamos em hits do passado. Isso não se aplica a nós. Olhamos para frente.” 

Novo álbum do Iron Maiden é o melhor da banda no século 

È evidente que o Iron Maiden não precisaria se reunir em um estúdio e lançar mais um disco. The Book of Souls, o décimo sexto da carreira elogiável do grupo que ajudou a formar o cânone do heavy metal, não é apenas mais um álbum de rotina, daqueles que quando deixarem as prateleiras sequer serão lembrados. Não, não, o assunto aqui é sério.

Depois de uma porção de discos com pouca identidade e muito autoplágio desde a reforma da formação clássica da banda, com o retorno do vocalista Bruce Dickinson e do guitarrista Adrian Smith, em 1999, o grupo encontrou a ousadia necessária para se reinventar com um disco duplo, o primeiro da carreira, com mais de 90 minutos de som. 

Tudo o que faz do Maiden o Maiden está lá. Ou seja: solos de três guitarras, linhas de baixo que cavalgam com uma bateria intensa e vocais assustadoramente agudos do recentemente recuperado do câncer Dickinson.

Há algo de novo, contudo. Embora alguns momentos daquela hora e meia dedicada à audição do livro soem pretensiosos e, convenhamos, enrolados demais, a reinvenção da Donzela de Ferro está em não fugir daquilo que faz a banda grandiosa, nos anos 1980. O Maiden nunca escondeu o gosto pelo rock progressivo e seus álbuns conceituais. Os antecessores Dance of Death (2003), A Matter of Life and Death (2006) e The Final Frontier (2010) traziam um tema central, que não conseguiam render boas canções. Não é o caso do que acontece com The Book of Souls: hinos de até 18 minutos que fazem valer seus mais de 1080 segundos. Acredite. 

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