Irmãs Labèque conspiram ao piano, em SP

A apresentação de um duo de piano é uma arte conspiratória, disse recentemente a francesa Katia Labèque. Ela explica: conspirare, do latim, quer dizer, "respirar juntos". E é isso a que ela e a irmã, Marielle - que formam o célebre duo Labèque -, se propõem a fazer em apresentações por todo o mundo, como a que realizam hoje, na Sala São Paulo, dentro da temporada beneficente da Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Tumor Cerebral). No ano passado, a Decca lançou uma caixa de seis discos reunindo grande parte das gravações das irmãs Labèque. E lá você encontra o repertório que as duas tocam hoje: Em Branco e Preto, de Debussy, o Concerto, de Stravinski, Mother Goose, de Ravel, e a Rapsódia em Blue, de George Gershwin. É nesta última peça, aliás, que se costuma apontar o brilho e a musicalidade das duas - a obra estava no primeiro álbum da dupla, que com ele conseguiu um disco de ouro e portas abertas para os principais teatros do mundo. "É uma peça muito interessante e, ao tocá-la em dois pianos, estamos fazendo a versão que mais agradava a Gershwin. Não acho que a versão com orquestra de Bernstein seja démodé, mas é muito claro que, assim, essa música soa mais moderna e não tão pesada. Gershwin escreveu uma peça cheia de ritmo", explica Katia ao Estado. Katia e Marielle nasceram na costa basca da França - a mãe era italiana e professora de piano. Apesar dos dois anos de diferença, elas entraram juntas no Conservatório de Paris e, desde então, apresentam-se em conjunto. "O mais importante, acho, ao tocarmos juntas é que cada uma mantenha seu estilo. Nunca tento tocar como minha irmã. É como se fossem duas vozes diferentes, duas cantoras. Cada uma tem a sua personalidade", diz. O segredo, na verdade, continua Katia, é não cair na mesmice, no hábito. Quando se deixa vencer pela rotina, a música fica seca, perde o sentido - elas sentem isso, o público também percebe. "É por isso que nos últimos anos temos tentado variar ao máximo nossas atividades. Tocamos com outras pessoas, fazemos música de câmara com violinistas, violoncelistas. Eu também tenho trabalhado com cantores e descobri com eles a importância da respiração no ato de fazer música - eles, se não respiram, morrem, e há uma lição a ser aprendida nisso." No mais, Katia se diz feliz em estar de volta ao Brasil após quase dez anos. Só sente ter de ficar pouco por aqui. "Gostamos tanto do Brasil que não sei porque não o visitamos mais", ela brinca. "De qualquer forma, prometo que da próxima vez ficaremos mais tempo, tocando em São Paulo, Rio e assim por diante." Duo Labèque. Renda revertida para a Associação para Crianças e Adolescentes com Tumor Cerebral, Tucca. Sala São Paulo (1.501 lug.). Praça Júlio Prestes, s/n, centro, 3337-5414, metrô Luz, quarta, 21h. De R$ 110 a R$ 220

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.