Irmão mais novo do acusador de Jackson depõe

O irmão mais novo do menino que acusa o cantor Michael Jackson de abuso sexual disse hoje ao júri que o músico mostrou a ele e seu irmão sites pornográficos pela internet durante uma visita que fizeram ao rancho Neverland. Apesar disso, o depoimento do garoto de 14 anos aumentou a confusão sobre a ordem dos acontecimentos no caso apresentado pela acusação.Horas antes, a irmã dos meninos afirmou que os dois garotos dormiram no quarto de Jackson em sua primeira noite em Neverland, mas o garoto mais novo disse que ele e seu irmão dormiram com o pai deles na primeira noite, e depois no quarto do cantor.Jackson, de 46 anos, é acusado de abusar do menino em 2003, quando tinha 13 anos e se recuperava de um câncer, além de dar-lhe bebidas alcoólicas e conspirar para manter a família presa no rancho.Não está claro quando aconteceu a visita em que o cantor e os meninos supostamente dividiram a cama e visitaram sites de pornografia. O irmão mais novo disse que eles primeiro viram os sites e depois foram assistir a episódios de Os Simpson. "Michael nos disse para não contarmos a ninguém o fizemos, nem a nossos pais", declarou. O menino disse que também estavam presentes o assistente de Jackson, Frank Tyson, e os filhos do cantor, Prince Michael e Paris. Nessa ocasião, as crianças teriam dormido na cama e o cantor no chão.Em um momento, o cantor teria brincado e dito "Têm leite?", ao verem uma foto de uma mulher com os seios de fora, e também teria sussurrado no ouvido do filho que "Você precisa de...", usando um termo chulo para a anatomia feminina.Horas antes, o júri ouviu uma fita em que os irmãos e a mãe do acusador elogiaram o músico como uma figura paternal que os recebeu depois de anos de abuso pelo pai das crianças. A fita foi usada pelo advogado de defesa de Jackson, Thomas Mesereau Jr., numa tentativa de colocar à prova a credibilidade da irmã do acusador, ao tentar demonstrar inconsistências entre seu depoimento e outras declarações.A garota, curvada na cadeira, chorou quando ouviu a fita. "Nesse momento ainda pensava bem do senhor Jackson e estava simplesmente prendendo-me a algo", disse. "Fui submetida a 16 anos de abuso e não sabia o que era ter um pai". A fita foi gravada em 16 de fevereiro de 2003, pelo detetive particular Bradley Miller, que trabalhava para o ex-advogado de Jackson, Mark Geragos.A fita foi gravada na época em que a acusação diz que a família foi mantida presa e forçada a declarar-se a favor de Jackson, para ajudar na recuperação da imagem do cantor após a exibição do documentário de televisão Vivendo Com Michael Jackson, em 6 de fevereiro de 2003.

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