Irmão encampa projetos de Almir Chediak

Dois meses e meio após a morte do produtor musical e editor Almir Chediak, assassinado num assalto em 26 de maio, seus projetos voltam a andar. Ainda não refeitos da perda, seu irmão Jesus Chediak e a equipe da Lumiar, gravadora e editora criada por ele, têm 14 projetos em andamento, dois deles com data para chegar ao público: os livros e discos do songbook de João Bosco, último projeto finalizado por Almir, que terão lançamento no Teatro Rival, no dia 9 de setembro, e o disco do cantor Emílio Santiago com o pianista João Donato, que sai duas semanas depois, em 24 de setembro.Para outubro, ainda sem dia marcado, está previsto o lançamento do livro Batuque É um Privilégio, misto de história e método de percussão, escrito por Bolão. "Independente da minha dor pessoal, precisava preservar a história e o trabalho do Almir, sem confundir com minha própria trajetória; graças a Deus ele era muito organizado, mas a Lumiar cresceu muito e tudo ficava com ele. Meu irmão é insubstituível, e o que se pode fazer é continuar seu trabalho dentro dos mesmos padrões", comenta Jesus, produtor de teatro e escritor.Não é pouca coisa, pois ele vivia envolvido em mil projetos, entre livros didáticos, songbooks, biografias, discos comerciais ou reunindo artistas de carreiras paralelas, como Santiago e Donato. Sua morte trágica e repentina desnorteou a equipe de 11 funcionários da Lumiar (sem contar com inúmeros colaboradores de cada projeto) e o irmão, Jesus. O songbook de João Bosco ficou pronto na semana anterior a sua morte e o compositor mineiro chegou a insistir com ele para que desistisse do fim de semana em seu sítio de Petrópolis, onde seria assassinado pelo caseiro do sítio ao lado. Além das partituras, os discos trazem interpretações saborosas de seus hits. Chico Buarque ficou com Incompatibilidade de Gênios, Djavan gravou Desenho de Giz, Sandra de Sá canta Tiro de Misericórdia e Simone, Nação. Bosco reservou para si e o parceiro Aldir Blanc o mega hit O Bêbado e a Equilibrista e Nana Caymmi ganhou Dois pra lá, Dois pra cá, ambas clássicos gravados por Elis Regina. Já o disco de Emílio Santiago e João Donato, ...E muito Mais, está pronto. Eles não são contemporâneos, mas têm histórias parecidas. Começaram na noite, Santiago com crooner e Donato como pianista, e sempre foram idolatrados pelos músicos, mas demoraram a conhecer o sucesso popular. Outro disco pronto, mas dependendo ainda da finalização de contratos, é Valsas e Choros, do violonista Turíbio dos Santos, solando composições de Villa-Lobos (sua especialidade), Ernesto Nazareth, Paulinho da Viola, Dilermando Reis e João Pernambuco. Deve sair ainda este ano, mas ainda não tem data de lançamento marcada.

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