Irmã de Tim Maia estréia na música aos 70

Maia Motta seria estranho. Falado ligeiro, poderiam entender "marmota". Só Maia ficaria bonito, mas assim o sobrenome do maridão não entraria na história. Dona Luzia olhou bem no espelho e resolveu o dilema da maneira mais simples: aos 70 anos, mãe de Ed Motta, irmã de Tim Maia, adotou o Luzia Motta de batismo para começar a subir em palcos. A cantora caçula da família Motta surpreende ao se apresentar em casas do Rio de Janeiro.Sua voz suave, de vibratos longos e sussurados, em nada se parece com o vulcão que Tim Maia fazia entrar em erupção dentro de si quando cantava, ou com o sobe-e-desce de frases de jazz que Ed Motta usa em suas performances. "Gosto de cantores que cantam macio, como Johnny Alf, Emílio Santiago e Tito Madi, que é meu grande ídolo. Não gosto de gente que canta gritando." Foi o filho quem descobriu o talento de Dona Luzia. Há cinco anos, logo depois de se apresentar pela primeira vez em uma casa noturna do Rio de Janeiro e sem estar sob um chuveiro, Dona Luzia viu um menino grande, barbudo e meio desengonçado, entrar em seu camarim chorando como criança. "O Ed não se conteve. Me dizia ?mãe, não sabia que a senhora cantava desse jeito!?"Estrear na música aos 70 anos de idade pode ser uma dádiva curtida sem pretensões. "Cantar, para ela, é um desses hobbies da terceira idade", fala o marido Antônio Carlos Motta. Luzia Motta brinca mas sabe que não tem tempo a perder. Fala em lançar um disco produzido por Ed Motta, seu maior incentivador. No repertório, estariam canções clássicas que não saem de seus shows, como Eu e a Brisa, de Johnny Alf, Não Diga Não, de Tito Madi, Se Alguém Telefonar, que Milton Nascimento gravou, e mais obras de Dorival Caymmi e do irmão Tim Maia.Tim não tinha a mesma imagem de briguento que alimentava fora de casa. Mas era um ciumento incontrolável. Se ligava para a irmã no meio da noite e ouvia de seu cunhado que ela não seria acordada, repetia sempre a mesma frase. "Escuta aqui, antes de ser sua mulher, a Luzia é minha irmã. Vá chamá-la." Quando o filho Ed começou a fazer sucesso, surgiu também um mal estar entre tio e sobrinho, o que Luzia defende como sendo fruto de ciúmes. "O Tim andou falando na imprensa algumas coisas. Mas o Ed nunca respondeu."As lembranças do irmão são sempre carinhosas. "Ele nunca foi amado." Sua história, como sua voz, em nada se parece com a de Tim. Feliz e sem o menor jeito para criar polêmicas, Luzia se prepara para os holofotes. "A família não fala em outra coisa."

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