Internet reaquece mercado de videoclipes

2001 vai ficar marcado como o ano em que a Internet finalmente virou a mais importante mídiade promoção da indústria da música. Passada a polêmica dadistribuição digital de música, a presença de videoclipes narede transformou-se no padrão para artistas do mainstream e paraos pequenos selos, em uma revolução no mercado de produçãointernacional. O setor, que andava em crise desde o início doprocesso de "desmusicalização" da MTV, passa a viver sua fase maiscriativa desde a popularização do formato, no início dos anos80.A expansão do mercado de banda larga é o principal responsávelpelo boom dos clipes na rede. Hoje nos Estados Unidos, onúmero de internautas conectados por meio de cabo ou linhastelefônicas rápidas é muito maior do que o de assinantes decanais como o MTV2, por exemplo, que ainda não está disponívelem várias regiões do país. No principal sistema de TV a caboamericano, o surgimento de emissoras como o VH1 Classics e Triotambém não representou uma nova chance para a exposição declipes, já que as programações são baseadas em trabalhosantigos.Mas outros motivos estão fazendo gravadoras e artistasrepensarem suas estratégias de marketing. Um deles é o padrãoimposto pela MTV e outros canais de música, como o BET ou oMuchmusic. Além de definir uma série de restrições - deconteúdo sexual à presença de logotipos famosos, passando, éclaro, por referências a violência -, as redes mantêm hoje umnúmero muito menor de clipes no ar, e dificilmente por mais dequatro semanas, uma vida útil muito curta para o tamanho de uminvestimento.Menos assumida, mas igualmente forte, é a padronização estéticada MTV, que prefere clipes com estilos pré-definidos, o querepresenta uma limitação criativa para muitos artistas. Assim, aInternet representa uma nova chance de liberdade artística. ParaBjörk, por exemplo, que recentemente causou polêmica por contado vídeo de Pagan Poetry, em que aparece de topless, não hásentido em produzir um clipe para a televisão. "Não penso sevai ser exibido ou não, só quero fazer um trabalho que seja tãoforte quanto a música", disse a cantora recentemente em umaentrevista coletiva na Espanha.A liberdade está também nos formatos que podem ser usados. Aocontrário dos canais de música, em que o padrão do uso depelícula cinematográfica é reforçado, na Internet é possívelexibir peças que misturam trechos feitos em vídeo, com produçãomuito mais barata, animação e outras técnicas que aindaassustam os executivos das redes. "Na rede, é possívelmisturar técnicas e a qualidade ainda fica boa, enquanto na TV aindústria está muito acostumada a usar filme, o que encarece oscustos radicalmente", diz Maria de Oliveira, que trabalha nodepartamento de videoclipes da Elektra, em Nova York. "E, claro, nas emissoras há o preconceito com os clipes feitos emvídeo."Se para nomes como U2 e Garbage a rede é a ferramenta perfeitapara fazer com que um novo clipe esteja disponível em todo omundo ao mesmo tempo que outras ações de marketing, para selosespecializados é o impulso mais forte que já apareceu nomercado. É o caso da Astralwerks (Air, Fatboy Slim) e da MuteRecords (Depeche Mode, Nick Cave, Goldfrapp), que vêm formandoum público cativo com o lançamento constante de novidades deseus artistas. Mas a Internet também possibilita a criação de trabalhospuramente estéticos e não necessariamente promocionais. ORadiohead, por exemplo, produziu uma série de trechos de vídeosabstratos, que é uma das principais atrações de seu site oficial. Já Björk optou por estrear seu vídeo no siteShowStudio, do fotógrafo inglês Nick Knight, uma plataforma deexibição para trabalhos de fotógrafos, cineastas e profissionaisda moda. A revolução tem tudo para ganhar força em 2002.

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