Andrea Raso/Divulgação
Andrea Raso/Divulgação

Integrantes do Selton fazem shows ao lado de Bárbara Eugênia

Lançamento do disco 'Saudade' terá apresentações no Rio, em São Paulo, em Piracicaba e em Sorocaba

Lauro Lisboa Garcia - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2013 | 20h09

Ser bem-sucedido no exterior para depois repercutir com mais força no Brasil já virou lugar-comum no perfil não só de cantoras e compositores da MPB, mas também de certas bandas brasileiras de pop-rock. Depois de Sepultura, Angra, Cansei de Ser Sexy e até (tardiamente) os Mutantes, pelo que alguns fatores apontam, agora é a vez do Selton. Sediado em Milão, o grupo formado por gaúchos em Barcelona já está no segundo giro pelo sudeste e sul brasileiros este ano e toca neste sábado, 19, no Beco 203, dividindo a noite com a cantora e compositora paulistana Bárbara Eugênia.

Elogiado por alguns veículos de imprensa importantes na Itália, o terceiro álbum da banda, Saudade (independente), o primeiro a sair no Brasil, conta com a participação de outro “cidadão do mundo”, o pernambuco-americano Arto Lindsay. É na canção Qui Nem Giló, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que abre o CD mesclando rock e baião.

Tendo Beatles e a tradição brasileira como referências, além de bandas mais recentes como Vampire Weekend, Little Joy (um dos projetos bacanas de Rodrigo Amarante) e Dirty Projectors, das quais também captam novidades, é a segunda vez que o Selton tem um álbum produzido em parceria com o italiano Tommaso Colliva, que já gravou com Muse e Franz Ferdinand, entre outros. Como algumas dessas bandas, o quarteto gaúcho faz pop-rock leve, dançante, alegre e com vocais bem harmonizados.

O cantor, compositor e guitarrista Ramiro Levy (que também toca ukulele) diz que a banda tem essa identidade peculiar tropical-universal justamente por não se sentir “de lugar nenhum”. “Começamos em Barcelona cantando músicas em inglês, depois fomos pra Itália cantar em português, então nossa identidade passa por muitas misturas e influências. A escolha desse nome para o disco é por causa de a gente se sentir um pouco sempre estrangeiro, mesmo quando estamos no Brasil”, diz Levy. “Acho que até pelo fato de morarmos distantes, nos sentimos mais brasileiros e também por misturar tantas coisas diferentes e criar alguma coisa nova, o que é bem próprio da música brasileira.”

Bandas brasileiras que tentam carreira internacional geralmente não progridem por serem derivativas de estilos de outros grupos que tocam e cantam melhor, além de não desenvolverem boas letras nem pronunciar direito outros idiomas. Essas barreiras o Selton venceu, sem patriotada nem xenofilia, e embora uma ou outra canção dê a impressão de já terem sido feitas na década de 1960, têm uma roupagem contemporânea e um jeito próprio de fisgar o ouvinte. Levy, que – como Ricardo Fischmann, Daniel Plentz e Eduardo Dechtiar – saiu de Porto Alegre para morar na Europa há 8 anos, diz que a adaptação foi natural e verdadeira.

No primeiro álbum, Banana à Milanesa (2008) a banda interpretou só canções de Enzo Jannacci. O segundo, Selton (2010) era autoral, mas igualmente quase todo em italiano. O terceiro tem mais canções em inglês e português, o que amplia os horizontes da banda ao voltar-se ao país natal. Nesta sexta, 18, eles tocam no Studio RJ e depois do Beco 203 fazem um pocket show acústico na Fnac Pinheiros (domingo), e seguem para o Sesc Piracicaba (dia 24), Da Leoni (São Paulo, dia 25) e Asteroid (Sorocaba, dia 26).

SELTON E BÁRBARA EUGÊNIA

Beco 203. Rua Augusta, 609, 2339-0351, Sáb., 20 h (abertura da casa às 19h30). R$ 30. www.beco203.com.br

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