Instrumentistas roubam a cena no Prêmio Visa

Na quinta e penúltima eliminatória do 8º Prêmio Visa de Música Brasileira - Edição Vocal, o destaque maior ficou para alguns instrumentistas que valorizaram a apresentação dos intérpretes, executando arranjos interessantes e até inusitados. A escolha de repertório de boa qualidade também foi algo marcante no programa de anteontem no Espaço Promon, mais uma vez lotado. Quem se destacou foi a paulista Ana Luíza. Veterana no Visa, ela já concorreu na mesma categoria em 1999 e 2002, além de ter interpretado canções de Chico Saraiva, na edição de compositores de 2003, ocasião em que foi considerada atração à parte. Ana mostrou tudo o que sabe numa interpretação surpreendente, tanto quanto o arranjo, de Assum Preto (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira). Mantendo o clima intimista, Ana entoou outra canção de teor melancólico, Olha Maria (Tom Jobim/Vinicius de Moraes/Chico Buarque), acompanhada apenas do piano. Depois, emendou com Ensolarada e só subiu um pouco de tom na segunda parte da cortante Outubro (Milton Nascimento/Fernando Brant). Depois, entraram Sérgio Santos e o pianista André Mehmari, que também já marcaram território no Visa. Mehmari foi o vencedor da primeira edição do prêmio em 1999. Santos concorreu como compositor em 2003. Além do piano impecável de Mehmari, o cantor mineiro veio acompanhado de Guello (percussão) e de Silvio Mazzuca Jr. (no baixo acústico, que a princípio seria tocado por Rodolfo Stroeter). Santos apresentou a belíssima modinha Até Pensei (Chico Buarque). Com volume mais alto, engrenou em Vento Bravo (Edu Lobo/Paulo César Pinheiro). Em Coração Leviano (Paulinho da Viola), também tocou violão e foi generoso em inflexões semelhantes às de Djavan. No fim, ele e o trio entraram com tudo na desafiadora Bala com Bala (João Bosco/Aldir Blanc), suingando no estilo de João Bosco.Paulista com malícia carioca, Luciana Coló começou seu set interpretando Gago Apaixonado (Noel Rosa), da maneira engraçada que exige a letra, um tanto quanto politicamente incorreta para os tempos atuais. A voz nasalada de Luciana se sobressaiu em Chamada e Fubá, duas canções mais densas do violonista Raphael Gemal, um dos integrantes do quarteto que a acompanhou. Terminou com uma interpretação encenada de Na Subida do Morro (Moreira da Silva/Ribeiro Cunha). Encerrando a noite, a cearense Nina Ximenes começou com Lembra de Mim (Ivan Lins/Vitor Martins). Pareceu pouco à vontade com os músicos que mal conhecia, como disse. Em seguida, interpretou Kukukaya (Cátia de França). Esforçada, teve seu melhor momento na sutil Tocando em Frente (Almir Sater/Renato Teixeira) e encerrou convidando o público a fazer coro no fim de Desde Que o Samba É Samba (Gilberto Gil/Caetano Veloso).

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