Instituto preserva a obra de Jacob do Bandolim

Músicos, chorões e fãs vão se encontrar hoje à noite, na Sala Cecília Meirelles, para o lançamento do Instituto Jacob do Bandolim, que começou a ser desenvolvido há um ano para preservar a memória e divulgar a obra do compositor de Noites Cariocas, Doce de Coco e Assanhado, um dos criadores da linguagem de seu instrumento no choro. A festa/recital, que terá Hermínio Bello de Carvalho como mestre-de-cerimônias, reunirá veteranos, como Dino 7 Cordas e César Faria (que tocaram com Jacob desde os anos 40, no Época de Ouro) à nova geração, como Pedro Aragão, Yamandú Costa e os alunos da Oficina de Choro, e vai virar CD e DVD a ser lançado pela gravadora Biscoito Fino.O instituto surgiu a partir de um texto de Hermínio, publicado na internet, lamentando o estado do acervo de Jacob, guardado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio, que dispõe de poucos recursos para mantê-lo. "As 122 fitas com 500 horas de gravações dele nunca foram rebobinadas", diz o músico Sérgio Prata, do grupo Sarau, um dos diretores do instituto.O roteiro de Hermínio e Prata começa com Pixinguinha (compositor preferido de Jacob) e vai até seus clássicos, como Bole Bole (que Nilze Carvalho, Zé da Velha e Silvério Pontes vão tocar) ou Feia (a cargo do atual Época de Ouro, que receberá um diploma de fidelidade por estar em atividade até hoje). A voz do próprio Jacob vai introduzir alguns números e músicos contemporâneos e amigos dele serão homenageados. "Vamos entregar os bandolins que pertenceram ao Jacob a seus descendentes artísticos, Ronaldo, do Época de Ouro, Déo Rian e Joel Nascimento", adianta Prata. "Os instrumentos foram restaurados com recursos do instituto."Por enquanto, a instituição se mantém como uma ação entre amigos. Já tem um site na internet, um projeto inscrito na Lei Rouanet para digitalizar as 122 fitas do MIS, planos de lançar um songbook com 120 partituras de Jacob e há planos de lançamento comercial do material inédito que tenha qualidade à altura das exigências do compositor e instrumentista. O orçamento para tudo é de R$ 100 mil. "Jacob tinha mania de gravar o que tocava e deve haver muita fita espalhada por aí. Queremos reunir tudo e fazer do instituto um ponto de encontro de quem gosta de boa música, em geral, de choro, em particular", avisa Prata. "Estamos também atrás de imagens dele em movimento, porque as que foram registradas se perderam, apesar de ele ter tocado muito na televisão."Apesar de ele ter morrido cedo, com 51 anos em 1969, a música de Jacob do Bandolim ainda é muito ouvida e gravada e seus discos, relançados ocasionalmente (um dos melhores foi a caixa da RCA, com três CDs e uma minibiografia, que saiu há dois anos). No entanto, o elepê de Jacob, com o Época de Ouro, Elisete Cardoso e o Zimbo Trio, show dirigido por Hermínio e gravado ao vivo no Teatro João Caetano, em 1968, nunca saiu em CD no Brasil por problemas com herdeiros da cantora. Tornou-se antológico, com excelente vendagem e sucesso de crítica. "Conseguimos lançá-lo apenas no Japão", conta Hermínio. Quem sabe, o Instituto Jacob do Bandolim preencha essa lacuna.

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