Ingressos para ver Clapton estão no fim

Eric Clapton não exigiu muito. Ao fazer sua lista, pediu um quarto de hotel sem frescuras e um carro para passear. Nada de segurança particular, nada de intérprete. Uma mesa de pebolim no camarim foi a única vontade sublinhada como indispensável. O homem que os jovens londrinos viram como um Messias do rock-and-roll na década de 60 passaria pelo Brasil em completa discrição não fosse um motivo: a turnê que Eric Clapton traz para Porto Alegre (dia 10), São Paulo (11) e Rio de Janeiro (13) é, provavelmente, a última de sua carreira. Até por isso, como ele anunciou, será a melhor de todas.O público de Clapton ouve a promessa como um rebanho que responde ao chamado do pastor. Em São Paulo, onde a apresentação será no Estádio do Pacaembu, foram vendidos todos os lugares que custavam R$ 300. Até a manhã de ontem, dos 30 mil ingressos totais, restavam 8 mil nas bilheterias. Os mais baratos custam R$ 50. Há ainda os de R$ 75 e R$ 100. Eric Clapton não quis uma superprodução, embora o valor estimado de seu cachê para as três apresentações brasileiras, segundo fontes extra-oficiais, esteja na casa dos US$ 2 milhões. "Não haverá um grande cenário. Clapton quer todas as atenções voltadas para ele enquanto tocar", conta Mônica Margato, da produtora CIE do Brasil, que trouxe o artista ao País. O fundo do palco será preto, limpo. Dois telões de alta definição serão colocados nas laterais para mostrar cenas das mãos do guitarrista captadas durante seus solos. A banda, uma das formações mais seletas a segui-lo, terá o veterano baterista Steve Gadd, o baixista Nathan East, o guitarrista Andrew Low e os tecladistas David Sancious e Greg Phillinganes.O show de duas horas foi preparado para Eric Clapton mostrar-se em todas as suas faces. E elas não são poucas. Desde 1963, quando formou os Roosters com amigos colegiais em Londres, até o lançamento de Reptile, no início do ano, o guitarrista sempre moldou sua música às angústias e curtições que permearam uma das vidas mais instáveis do show biz.E é o Clapton bluesman, que teve seu auge em 1994 ao lançar Blues From the Cradle, recebido como o novo testamento do gênero, quem aparece primeiro. Canta uma versão com quase dez minutos de Key to the Highway, que resgata dos tempos de Derek and the Dominos para gravar com B.B. King, em 99. Mostra, em seguida, a instrumental Reptile e a cortante Got you on My Mind. Mais tarde, o bluesman ataca de Hoochie Coochie Man, que, na infância, ouvia na interpretação clássica de Muddy Waters. Tears in Heaven, a próxima, é o Clapton adocicado que incomoda os seguidores do arrasador e experimental guitarrista do power trio Cream. Este volta ainda em uma sessão de três músicas tiradas do disco Pilgrim e em Change the World, que fez para a trilha do filme Fenômeno.Da fase Cream tem Badge, feita com o amigo George Harrison, em versão três vezes mais demolidora que a original ou que a gravada ao vivo no disco 24 Nights. Sua parte final, com as longas frases do guitarrista empregadas para um espetacular crescendo, será um desafio aos que pagaram R$ 300. Quem puder que permaneça no lugar.Outra dos tempos em que Clapton tocava com um ursinho de pelúcia pendurado ao braço da guitarra é Sunshine of your Love, uma das duas escolhidas para o bis. A que finaliza é Somewere Over the Rainbow, em inédita versão bluesy.O Clapton "junkie", viciado em álcool e cocaína, redimiu-se em música. Entrou para os Alcóolicos Anônimos e, com custo, conseguiu se limpar. Cocaine tornou-se um hino antitóxico. Também não passaria sem Layla, que fez em uma deprê danada por ter roubado a mulher do amigo George Harrison. Dos Claptons que vêm a São Paulo, o negro tocador de blues falará mais alto. E é nele que o branco coloca todas as suas fichas para se despedir do mundo.Eric Clapton. Dia 11, às 20h30. Estádio do Pacaembu. Ingressos: de R$ 50 a R$ 300 (esgotados) Informações: 3191-0011 (Ticketmaster). Locais de Vendas: Credicard Hall - Av. das Nações Unidas, n.º 17.955 (tel.5643-2500), Directv Music Hall - Av. dos Jamaris, n.º 213 (tel. 5643-2500). Ingressos pelo telefone com taxas de entrega: 3191-0011.

Agencia Estado,

03 de outubro de 2001 | 12h24

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.