Ingressos para show de Marsalis estão à venda

Começam a ser vendidos nesta quinta-feira, apenas na bilheteria do Teatro Municipal de São Paulo, os ingressos para as duas apresentações que a Jazz at Lincoln Center Orchestra, corpo estável do instituto nova-iorquino homônimo, realiza nos dias 22, 23 e 24 de novembro no Municipal. O comando do espetáculo está a cargo do trompetista polêmico e purista Wynton Marsalis, diretor artístico do J@LC e um dos homens mais influentes dos Estados Unidos segundo a revista Time. Participa também do espetáculo dos dias 22 e 23 a Orquestra Experimental de Repertório, do maestro-regente Jamil Maluf. O evento fecha a temporada 2000 promovida pelos Patronos do Theatro Municipal, que neste ano trouxe ao Brasil a Orquestra Sinfônica de Berlim e a Orquestra Sinfônica da Rádio de Viena. Na primeira parte do espetáculo as duas orquestras revezam-se na apresentação de O Quebra Nozes, de Tchaikovsky, com arranjos de Duke Ellington. Na sequência, composições de Marsalis, Louis Armstrong, dos músicos da J@LC e mais músicas de Ellington. Os protagonistas da inesquecível noite, não se deve deixar de citar, são os saxofonistas Wess "Warmdaddy" Anderson, Walter Blanding Jr., Victor Goines, Ted Nash, Joe Temperley, os trompetistas Seneca Black, Ryan Kisor, Marcus Printup, o baixista Rodney Whitaker, o baterista Herlin Riley, os trombonistas Wycliffe Gordon, André Hayward, Ron Westray e o pianista Farid Barron, músicos que integram a J@LC. Ellington e Marsalis ? É explícita a influência que a música de Ellington exerce sobre a de Marsalis. Segundo Peter Watrous, do The New York Times, ?Marsalis faz de Duke Ellington o seu parâmetro de referência; para quem não chegou aos 40 anos (ele tem 39), o volume de sua obra é imenso?. Ano passado comemorou-se o centenário de nascimento de Ellington, o que levou o músico a escrever, em artigo no mesmo jornal: ?Ele (Duke Ellington) cunhou a expressão jazz total e, embora nunca tenha visto ou ouvido uma explicação dele para essa idéia, creio que ele pensava num jazz capaz de atrair gente de todos os estratos sociais, da mesma forma que as peças de Shakespeare?. Levando-se em consideração os preceitos democráticos que Marsalis busca perpetuar, tanto em sua música quanto no Jazz at Lincoln Center, onde é diretor artístico e responsável por trabalhos pedagógicos e intelectuais, o jazz total de Ellington funciona perfeitamente. É música feita sobre, para e pelo povo. Esses fatores levam a crer que ele segue a risca o dito de Miles Davis: ?Os músicos deveriam cair de joelhos uma vez por ano e agradecer a Deus por Duke Ellington?. A pureza pregada por Marsalis ? aos 18 anos ele disse numa entrevista que se sentia como o resultado de uma grande tradição e que faz de sua vida a manutenção dessa tradição ? sustenta-se, não só em Ellington, como em Armstrong. São os dois músicos, apesar da admiração confessada pelo primeiro, que sustentam as bases musicais e teóricas da orquestra do Lincoln Center. Nesse ponto, o correto Wynton, irmão de Brandford, renomado saxofonista, Delfeayo, trombonista e Jason, baterista, concorda com o pai, o pianista Ellis Marsalis. O patriarca, em entrevista a O Estado de S. Paulo quando de sua apresentação no Free Jazz Festival, em 96, declarou: ?Ellington e Armstrong é que são a cultura da América?.Este ano, para completar, comemora-se o centenário de nascimento de Louis Armstrong. Marsalis não poderia ter motivos melhores para tocar a música desses dois grandes compositores. Marsalis e a Jazz at Lincoln Center Orchestra tocaram pela primeira vez no Brasil há exatos dois anos, no Teatro Alfa Real. Na época fizeram três apresentações. Repetem o ocorrido nesta segunda visita. Dois dias no Municipal, e no domingo, realizam um concerto ao ar livre e gratuito na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera. No Municipal, a J@LC será acompanhada pela Orquestra Experimental de Repertório.Orquestra experimental ? A participação da Orquestra Experimental de Repertório pode ser enxergada sob dois ângulos. Pela ótica purista de Marsalis, cuja luta maior é pela preservação das raízes do jazz, a presença da orquestra de Jamil Maluf no espetáculo é contraditória. Purismo não é propriamente o intuito dos experimentalistas brasileiros. Invertendo a ótica e levando em consideração o que pretende a OER, que em sua primeira década de atividade tocou com músicos contemporâneos, populares e eruditos clássicos, apresentar-se ao lado da Jazz at Lincoln Center Orchestra é mais um passo rumo a diversidade musical que caracterizou o trabalho da orquestra nestes dez primeiros anos de vida. Jazz at Lincoln Center Orchestra e Orquestra Experimental de Repertório - 22, 23 de novembro no Teatro Municipal de São Paulo às 21h; Ingressos a venda somente na bilheteria do teatro ou pelo telefone 5589-8202; De R$15,00 a R$90,00Jazz at Lincoln Center Orchestra - 24 no Teatro Municpal com ingressos a R$100,00, R$50,00 e R$15,00, às 21h, com renda revertida para o Hospital do Câncer. Dia 26 de novembro na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera, às 11h; Grátis

Agencia Estado,

08 de novembro de 2000 | 20h52

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