Indústria investe R$ 8 mi contra pirataria

A indústria fonográfica investiu R$ 8 milhões em 2002 nas ações de repressão, combate e investigaçãode pirataria. O resultado foi a apreensão de cerca de 4 milhõesde CDs gravados e 8 milhões virgens e o desmonte de laboratórioscom capacidade para produzir juntos mais de 40 milhões de CDspiratas por ano. Neste ano, de acordo com a Associação Brasileira dosProdutores de Discos (ABPD) e a Associação Protetora dosDireitos Intelectuais Fonográficos (APDIF), as campanhas terãocontinuidade. Um dos focos será a conscientização da populaçãopara não consumir os produtos, a exemplo do que começou a serfeito no ano passado, com a campanha Produto Pirata: A Vítimaé Sempre Você, Diga Não ao CD Pirata e a CampanhaNacional Pelo Direito Autoral, que envolveu diversos artistase teve grande repercussão. O presidente da ABPD, Paulo Rosa, afirma que o setor nãoestá desistindo de combater o problema, apesar do prejuízo queacumula: a pirataria é responsável por cerca de R$ 1 bilhão aoano de vendas não realizadas e R$ 300 milhões em impostos nãoarrecadados, apenas no setor fonográfico. A concorrência dosCDs falsificados levou ao fechamento, na avaliação da entidade,de 60 mil postos de trabalho em toda a cadeia, além de tertirado de circulação 2 mil pontos-de-venda do produto em todo oPaís. O cálculo é de que a pirataria detenha hoje cerca de 53%do mercado. Ou seja, para cada CD original vendido existe outropirateado sendo comercializado - a taxa é de 53%. Em 1997, oporcentual não passava de 3%. "É um crime organizado, quecresce a níveis assustadores", disse Paulo Rosa. Comoconseqüência, o faturamento da cadeia de produção de CDs caiupela metade nos últimos quatro anos. Rosa afirmou que pretendereforçar a interlocução com o novo governo a fim de conseguirmaior apoio no combate à pirataria. Para ele, além da questão econômica e cultural que aalimenta o crime, falta uma ação mais eficaz do governo nainvestigação do funcionamento da estrutura. Ele refuta asacusações de que é o preço que motiva a expansão deste negócioilegal. O valor do CD no Brasil estaria bem abaixo do praticadoem outros países. Para exemplificar, cita o preço nos EstadosUnidos (US$ 8,22); Inglaterra (US$ 8,28); Argentina (US$ 8,49);México (US$ 6,12); e Brasil (US$ 4,93), levando em conta osvalores no atacado, com base em dados de 2000.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2003 | 20h38

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