Angela Murray
Angela Murray

Ilumina, festival sob o signo da rebeldia, começa hoje

Na 5ª edição, mostra privilegia repertórios originais, buscando diálogo entre épocas, autores e estéticas

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado

02 de janeiro de 2019 | 06h00

Artistas devem defender ideais – é esse o conceito por trás da programação da quinta edição do Ilumina Festival, que começa hoje, dia 2. Com o tema Rebelde, o evento divide sua programação entre o interior de São Paulo e a capital, em palcos como o Masp e a Sala São Paulo, sob direção artística da violista americana Jennifer Stumm.

“O que me inspirou foi o papel do artista na história e na sociedade. Eu queria honrar o espírito de rebeldia do Ilumina. O festival é comandado por artistas, quebramos várias regras, fazemos música clássica para todos, não apenas para a elite”, diz Jennifer. “Chegamos à quinta edição com pessoas no mundo todo sabendo do nosso trabalho, que há uma onda de talento surgindo da América do Sul. É um sonho que se realiza. O concerto de encerramento na Sala São Paulo foi batizado de Rebelião de Alegria, porque afinal a alegria é a rebeldia máxima.”

O festival carrega uma proposta artística e pedagógica diferente. Anualmente, os músicos – alunos e professores – se reúnem em uma fazenda em Mococa, no interior de São Paulo, onde compartilham experiências, ensaiam e tocam juntos. Dessa convivência nascem os programas a serem apresentados. Em São Paulo, haverá apresentações nos dias 11 e 12, no Masp, nos dias 12 e 13 no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e no dia 13 na Sala São Paulo. 

Os repertórios originais são destaques da proposta do Ilumina. Os músicos vão da música barroca à criação contemporânea, buscando diálogos entre épocas, autores e estéticas diferentes. Um dos programas, por exemplo, começa com Brahms e segue para obras de Shostakovich e George Crumb, então fazendo uma pequena parada em Schubert no caminho até Olivier Messiaen.

“Quando encontro um tema, então diferentes narrativas de concertos ganham vida, como se eu estivesse fazendo três ou quatro óperas de uma hora, sem palavras. Às vezes, é algo muito pessoal. Eu perdi minha mãe de forma inesperada no ano passado e com certeza o programa que batizei de O Fim do Tempo foi inspirado nisso. Quero que a plateia sinta a mesma jornada emocional que os artistas, do início até o fim. Por isso combino peças de maneiras pouco usuais, sem aplauso, ou com os artistas se movendo pelo palco. Confiamos uns nos outros e então não há barreiras.”

Em abril, os músicos participantes do Ilumina também farão um concerto com o pianista britânico Paul Lewis na Sala São Paulo, pela temporada internacional da Tucca. “Queremos criar uma identidade global que vá além do festival e espero que esta seja a primeira de muitas colaborações entusiasmantes”, acrescenta.

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