Ike Turner fala sobre sua conturbada relação com Tina Turner

Confira entrevista publicada em 2004 pelo 'JT' sobre livro de Turner sobre Tina

Júlio Maria,

12 de dezembro de 2007 | 19h53

Ao lançar o livro A Verdadeira História Que Nunca Foi Contada Sobre Tina Turner, o autor, Ike Turner falou sobre seu papel na história do rock e o conturbado realcionamento com a ex-mulher ao jornalista Júlio Maria, publicada em 18 de maio de 2004, no Jornal da Tarde.A história da música reserva dois longos capítulos para Ike Turner. No  primeiro, ele é oficialmente o homem que criou o rock-and-roll em 1951 ao  gravar a música Rocket 88. No segundo, é quem descobriu e ensinou o  caminho das pedras a Tina Turner antes de socá-la, xingá-la, traí-la,  humilhá-la. Ao primeiro, Ike quer acrescentar alguns parágrafos. "Elvis  Presley roubou os negros." Sobre o último, quer reescrevê-lo. "Com certeza  eu dei uns tapas na Tina. Nós brigávamos e houve vezes em que eu acertei  socos nela sem pensar. Mas nunca a espanquei." No livro A Verdadeira História Que Nunca Foi Contada Sobre Tina Turner,  Ike conta detalhes da relação com a mulher que o suportou mesmo sabendo que  ele tinha outras quatro. "Acredito que ainda vou gravar com Tina e fazer  sucesso", diz nesta entrevista exclusiva ao JT.  Ike e Tina Turner formaram uma das mais explosivas duplas nos anos 60. No palco, hipnotizavam com interpretações vibrantes. Em casa, a diva era surrada.  Por que você decidiu escrever o livro ‘A Verdadeira  História Que Nunca Foi Contada Sobre Tina Turner’? Porque havia um filme e um livro (de Tina Turner) que não  contavam a verdade. E havia muita verdade para se contar.  E agora a verdade foi dita? Sim. A história do rock sempre foi muito confusa.  O Rock and Roll of Fame de Cleveland e muitos músicos consideram você o verdadeiro criador do rock por ter feito Rocket 88 três anos antes de Elvis Presley surgir. Você se considera o pai do rock? Eu acho que criei algo novo quando fiz Rocket 88. Em 1951 não tinha idéia de que, tantos anos depois, seria considerado o primeiro homem a gravar um rock.  Os brancos aparecem no meio dos anos 50, pegam o rhythm and blues dos negros  e começam a fazer sucesso com o mesmo ritmo, chamando-o de rock and roll. Os negros foram ‘roubados’? Sim, os brancos roubaram os negros. As estações de rádio dos brancos podiam tocar música negra mas não faziam isso. Só começaram a tocar músicas gravadas por artistas negros depois de Rocket 89. Já as rádios negras nunca puderam tocar a música dos brancos. Os garotos brancos começaram a  querer ficar parecidos com os negros. Eles passaram a copiar suas músicas e  mudaram o nome para rock-and-roll.  E Elvis Presley? Ele foi o primeiro a ‘roubar’ os negros. Me copiou logo que começou a  cantar, em Memphis. Eu não sei se Elvis Presley foi mesmo o Elvis Presley  que ficou para a história. Ele copiava uma série de coisas que a gente fazia  como, por exemplo, Blue Suede Shoes. Little Richard também roubou seu trabalho? Sim, roubou a parte do piano da música Rocket 88 e fez um de seus maiores  Sucessos.  Chuck Berry e Nat King Cole, segundo seu livro, faziam músicas que não  agradavam negros, só brancos. É mesmo? Não é que os negros não gostavam deles. O fato é que eles faziam músicas  muito parecidas com a dos brancos. Little Richard, por exemplo, conseguia  agradar tanto brancos quanto negros.  Mick Jagger, diz você, não faria sucesso se aparecesse hoje. Muitos grupos tocam pesado hoje... Não sei... Acho que eles, como os  Beatles, chegaram no tempo certo. Mas acho que não seria a mesma coisa se  surgissem hoje.  Você descobriu Tina Turner e a ensinou cantar. Se arrepende? Não.  Por quê? Não me arrependo.  Você diz no livro que não gosta de Tina Turner... Não gostaria de falar muito sobre esse assunto. Tina Turner foi parte de  minha vida, fez parte de minha carreira. Uma boa parte. Cometi um erro.  Assinei um contrato de US$ 45 mil com a editora e não achei que isso fosse  dar a ela o direito de me retratar como ela quisesse. Foi um erro.   Você diz que Tina Turner esqueceu os negros, que esqueceu suas raízes... Escrevi coisas que não deveria.  Ike, ao mesmo tempo em que você diz não gostar de Tina, dedica o livro a  ela. O que você sente afinal? Não sinto nada. Acho até que, no futuro, poderemos trabalhar juntos. Acho  que seria um grande sucesso. Temos coisas que o mundo gostaria de ver.  Se não fossem as drogas, como estaria hoje sua carreira? Ah... estaria muito, muuuito melhor. As drogas foram o pior erro da minha vida.  O racismo que você sentiu na pele nos anos 50 e 60 melhorou nos Estados  Unidos de hoje? Está muito pior.  Sua vida está melhor? Minha vida é boa. Não tenho a conta de quantos shows faço por mês, mas sei  que em vou tocar em breve na Itália, Suécia, Espanha, Alemanha, França e  Noruega.  Está casado? Não, não estou.  Tem filhos? Dois homens e duas mulheres.  Bush para presidente? Não, não vou votar nele nunca. Esta guerra do Iraque é um erro. Não suporto  George Bush.  E por onde andam as mulheres que te cercavam no passado? Continuo o mesmo de sempre. Muitas garotas (gargalhada). Por que você batia em Tina? Não quero voltar a isso porque já discuti o assunto no livro. Não quero  falar sobre o assunto. Tudo o que tinha a dizer sobre Tina Turner está no livro.

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