Ingrid Pop
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Ícone do movimento shoegaze, Slowdive ressurge doce com novo disco e show em SP

Dias depois de lançar o primeiro disco em 22 anos, banda virá a São Paulo como atração do Balaclava Fest, em maio

João Perassolo, ESPECIAL PARA O ESTADO

22 Abril 2017 | 03h00

No início de janeiro, o universo ligado à música alternativa parou para ouvir uma faixa nova do Slowdive, Star Roving. O lançamento do single anunciava o retorno de um das bandas ícone do movimento shoegaze, depois de 22 anos de hiato. A surpresa foi a levada entusiasmada da música, mais otimista do que as canções introspectivas pelas quais o grupo inglês ficou conhecido no início dos anos 1990. “A energia dos nossos shows é sonoramente visível nesta faixa, que tem um tempero especial”, diz o baterista, Simon Scott, em entrevista ao Estado por e-mail, a partir do interior da Inglaterra.

Esse tempero os fãs brasileiros vão conferir ao vivo dia 14 de maio, quando o Slowdive se apresenta pela primeira vez no País, como a principal atração do Balaclava Fest, no Cine Joia, em São Paulo. O show vai passar pela cidade poucos dias após o lançamento do novo disco, marcado para 5 de maio. Scott explica que “o novo álbum varia em ritmo e tom, com texturas criadas a partir de equipamentos analógicos antigos junto a métodos modernos de processamento de sinais digitais por laptop. Basicamente, você não vai ouvir uma coleção de faixas que soam iguais, mas o todo se encaixa muito bem”. 

Com o título de Slowdive, o quarto álbum da carreira do grupo tem oito faixas e foi gravado no estúdio Courtyard, em Oxfordshire, o mesmo dos três trabalhos anteriores – são eles Just for a Day (1991), Souvlaki (1993) e Pygmalion (1995). “Gostamos de estar juntos no estúdio e foi divertido de criar o disco. Não lançaríamos qualquer material novo se não estivéssemos 100% felizes com o resultado”, explica o baterista. 

O primeiro teste ao vivo do material inédito fora da Inglaterra natal aconteceu no dia 31 de maço, no Rewire Festival, em Haia, na Holanda, para um público de mil pessoas. Além dos clássicos, a banda tocou as novas Star Roving, Sugar for the Pill e No Longer Making Time. A novidade foi a presença da bateria eletrônica em primeiro plano, ditando o ritmo e rompendo com o som mais orgânico do passado. 

Criado no fim da década de 1980 entre a Escócia e a Inglaterra, o shoegaze tem como principal característica a instrumentação composta por paredes de guitarras distorcidas aliadas a vocais etéreos e delicados, estilo burilado por nomes como Jesus and Mary Chain, Cocteau Twins, Ride e My Bloody Valentine. O resultado são canções que “preenchem” o canal auditivo do ouvinte, ao mesmo tempo em que trazem uma atmosfera de devaneio e escapismo.

Entre o barulho e o sonho, o Slowdive optou pelo último, escrevendo o gênero na história do pop com músicas de andamento lento centradas ao redor da dupla de vocalistas Rachel Goswell e Neil Halstead. Formado em 1989, em Reading, o quinteto teve uma carreira de apenas seis anos, antes de se desfazer em 1995 e só voltar a se apresentar duas décadas mais tarde, no momento em que diversas bandas da época se reagrupavam. Com o lançamento do álbum mbv, em 2013, o My Bloody Valentine colocou o shoegaze novamente no radar cultural – desta vez, para um público muito maior.

“Certamente temos uma audiência maior agora. Em 1993 nós não lotávamos uma casa para 700 pessoas, e hoje muitos dos nossos shows esgotam rapidamente”, diz Scott, lembrando que, em 2014, o reformado Slowdive tocou para 25 mil pessoas no festival Primavera Sound, em Barcelona. “Talvez as camadas de guitarras e as texturas sonoras criem um escape dos tempos difíceis e turbulentos que vivemos.” 

Em um momento político no qual músicos se veem quase obrigados a usar seu trabalho para se posicionarem, é inevitável não questionar a influência do atual cenário no Slowdive. “Somos todos muito interessados em política, obviamente, mas não somos uma banda que deseja discutir nossas opiniões publicamente, porque queremos que seja 100% sobre nossa música”, finaliza.

Slowdive no Balaclava Fest.

Cine Joia. Pr. Carlos Gomes, 82, Liberdade, tel.: 3101-1305. Dia 14/5, a partir das 17h. R$ 180.

Com Widowspeak (EUA), Clearence (EUA) e E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante 

Ouça o Slowdive:

 

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